Frei Gilson Foto: Reprodução / YouTube
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recebeu uma denúncia formal contra o Frei Gilson da Silva Pupo Azevedo por declarações consideradas discriminatórias contra mulheres e a comunidade LGBT+.
O protocolo foi realizado pelo jornalista, escritor e ex-noviço Brendo Silva, que fundamenta a acusação em falas do religioso proferidas em homilias, entrevistas e conteúdos digitais.
Segundo o documento enviado à Promotoria, o Frei Gilson estaria utilizando termos pejorativos e obsoletos, como "homossexualismo", para se referir à orientação sexual. A denúncia destaca que o religioso associa a homossexualidade a conceitos de "desordem, depravação grave e contrariedade à lei natural.
Brendo Silva argumenta que, embora o Brasil garanta o direito ao culto, a prerrogativa religiosa possui limites legais. "Liberdade religiosa não é liberdade para odiar", afirmou o autor da representação.
Ele ressalta que o tom enfático utilizado pelo frei, exemplificado em frases como "se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou", ultrapassa a doutrina e contribui para a estigmatização de grupos vulneráveis.
Com uma trajetória de dez anos dentro da estrutura da Igreja Católica, Brendo Silva traz para a denúncia um componente de observação interna. O escritor, que já publicou obras sobre o tema, aponta uma suposta incoerência institucional ao afirmar que conviveu com diversos seminaristas e membros da alta hierarquia católica que são homossexuais.
Para o jornalista, existe uma contradição entre o discurso de exclusão propagado publicamente e a realidade da composição do clero. Além da pauta LGBT+, a denúncia também menciona que o discurso do frei reforça visões que colocam a mulher em uma posição secundária na sociedade, o que seria alarmante diante dos índices de feminicídio no país.
"É preciso coerência e responsabilidade. Não se pode naturalizar visões que colocam a mulher em posição secundária ou tratam gays como doentes."
Até o momento, não houve um posicionamento oficial por parte do Frei Gilson ou de sua assessoria jurídica sobre o teor da denúncia. O religioso, que possui forte presença nas redes sociais e lidera movimentos de oração com milhões de seguidores, também não comentou o caso em seus perfis oficiais. O espaço para defesa permanece aberto.
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