A nova etapa utilizará tecnologia de radares portáteis para medir a velocidade e o volume de tráfego de, pelo menos, 315 mil veículos, distribuídos em 16 vias de diferentes regiões da cidade.
Agente da CTTU orientando trânsito do Recife. Foto: CTTU/Divulgação
A Prefeitura do Recife, por meio da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU), com apoio da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global (BIGRS), por meio da Johns Hopkins University (JHU) e da Universidade Federal do Ceará (UFC), deu início, nesta segunda, 27 de outubro, a uma nova rodada de pesquisas de comportamento no trânsito, com foco na velocidade média de veículos em vias arteriais e coletoras.
A ação faz parte de uma série histórica de monitoramentos iniciada em 2020, que avalia a evolução dos padrões de velocidade na cidade e orienta políticas públicas de segurança viária.
A nova etapa utilizará tecnologia de radares portáteis para medir a velocidade e o volume de tráfego de, pelo menos, 315 mil veículos, distribuídos em 16 vias de diferentes regiões da cidade.
O objetivo não é fiscalizar, mas sim atualizar os dados sobre o cumprimento dos limites de velocidade e identificar locais onde medidas de engenharia, fiscalização e comunicação podem contribuir para reduzir o risco de sinistros de trânsito.
Os resultados do monitoramento mais recente mostram uma queda no número de veículos que circulam acima da velocidade permitida, passando de 37% em 2020 para 33% em 2025.
A velocidade média dos veículos também reduziu de 48 km/h para 46 km/h, indicando um índice maior de respeito à velocidade regulamentada nas vias do Recife, o que aumenta a segurança viária.
No entanto, 43% das motocicletas ainda trafegam acima do limite, e quando são observados os limites recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) - entre 30 km/h e 50 km/h -, 75% dos veículos circulam acima das velocidades consideradas seguras globalmente.
O levantamento indica que o excesso de velocidade permanece um desafio urbano significativo em Recife.
Apesar da melhora observada, um terço dos motoristas ainda circula acima dos limites legais, sendo motociclistas e veículos leves os principais infratores.
As vias arteriais e coletoras concentram a maior parte das violações. A adoção de limites mais seguros (30-50 km/h), associada à engenharia viária e fiscalização constante, é considerada uma das estratégias mais eficazes para alcançar padrões internacionais de segurança viária.
Para a presidente da CTTU, Taciana Ferreira, os resultados reforçam o papel do Recife como referência em políticas de mobilidade segura.
"Os dados mostram que estamos avançando, mas o desafio da velocidade ainda é grande. Por isso, o Recife segue comprometido em aplicar soluções de engenharia e requalificação urbana que reduzam velocidades e priorizem a vida de pedestres e motociclistas”, destacou Taciana Ferreira.
De acordo com a Global Designing Cities Initiative (GDCI), parceira técnica da BIGRS, a forma como as ruas são desenhadas influencia diretamente a velocidade com que os veículos circulam e, consequentemente, quem vive ou morre no trânsito.
Um pedestre atropelado a 30 km/h tem até 90% de chance de sobreviver, enquanto essa probabilidade cai para 10% a 60 km/h. Além de aumentar o risco de morte, velocidades elevadas ampliam a distância de frenagem, o ruído e a poluição, afetando a saúde pública e a qualidade de vida urbana.
O Recife tem sido reconhecido internacionalmente por suas ações de readequação de velocidade com uso de engenharia viária e urbanismo tático.
A cidade foi destacada no Manual “Designing for Safe Speeds”, da GDCI, como exemplo global de implementação de medidas eficazes para reduzir velocidades e proteger pedestres.
Segundo o pesquisador Caio Torres, doutor em Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), que integra a equipe técnica da pesquisa, o monitoramento é essencial para o avanço das políticas de mobilidade segura.
“A coleta contínua de dados ajuda a entender onde e como o comportamento dos motoristas está mudando. A redução da velocidade média é um sinal positivo, mas ainda precisamos fortalecer uma cultura de respeito aos limites seguros. A velocidade define a energia envolvida em um impacto — e isso faz toda a diferença na gravidade de um sinistro. Compreender essas dinâmicas é essencial para planejar estratégias e políticas mais eficazes de segurança viária”, destacou Torres.
O excesso de velocidade continua sendo uma das principais causas de mortes no trânsito, especialmente em países de baixa e média renda, que concentram 92% das vítimas fatais em todo o mundo.
A iniciativa recifense integra um esforço global para readequar limites de velocidade, redesenhar vias e salvar vidas por meio do conceito de Sistema Seguro - abordagem que reconhece o erro humano, mas busca eliminar as consequências fatais por meio de desenho urbano e gestão inteligente da mobilidade.
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