Patrulha Maria da Penha de Olinda. Foto: Alice Mafra/Secom Olinda
Enquanto o Brasil segue enfrentando um cenário preocupante de crescimento da violência contra a mulher, apontado por especialistas como uma verdadeira epidemia, Olinda apresenta um movimento na direção contrária. Em 2026, o município reduziu gradativamente os registros de violência contra a mulher ao longo do primeiro semestre, resultado do fortalecimento da rede de proteção, da ampliação dos serviços de acolhimento e da intensificação das ações de prevenção e conscientização.
Os dados, disponibilizados pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), mostram uma redução consistente dos casos registrados no município. Em janeiro foram contabilizados 231 casos de violência contra a mulher. O número caiu para 202 em fevereiro, registrou 218 em março e voltou a reduzir nos meses seguintes, chegando a 207 em abril, 204 em maio e alcançando 177 ocorrências em junho, o menor índice do semestre.
Outro dado relevante diz respeito às mortes intencionais de mulheres. Em janeiro, fevereiro, abril e maio, Olinda não registrou nenhum caso, alcançando feminicídio zero nesses meses. Houve dois registros em março e outros dois em junho, números que reforçam a necessidade de manutenção das políticas públicas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Para fortalecer essa rede de enfrentamento à violência, a Prefeitura de Olinda vem ampliando o atendimento especializado às mulheres. O Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) realizou 325 atendimentos presenciais apenas neste ano e mantém uma média de aproximadamente 130 atendimentos telefônicos por mês. O equipamento funciona 24 horas por dia, oferecendo acolhimento humanizado, orientação técnica, acompanhamento psicossocial e, quando necessário, disponibilizando abrigo em local afastado e seguro para mulheres em situação de risco.
Outro importante instrumento de proteção é a Patrulha Maria da Penha, que atua no acompanhamento das medidas protetivas e no monitoramento das vítimas de violência doméstica. Em 2026, a patrulha atuou em registros de ocorrências e no acompanhamento dos casos, fortalecendo a rede de proteção às mulheres do município.
Além do atendimento às vítimas, a gestão municipal investe fortemente na prevenção. Ao longo do ano, diversas ações educativas foram realizadas em escolas, equipamentos públicos e comunidades, promovendo debates sobre igualdade de gênero, enfrentamento à violência doméstica, direitos das mulheres e canais de denúncia.
Autonomia feminina como forma de combate
O fortalecimento da autonomia feminina também integra a política pública municipal. Iniciativas como o Terça Delas, promovido pela Sala do Empreendedor de Olinda em parceria com o Sebrae, oferecem capacitações, incentivo ao empreendedorismo, orientação técnica e oportunidades de geração de renda, contribuindo para o empoderamento econômico das mulheres, fator considerado essencial para romper ciclos de violência.
As ações são desenvolvidas de forma integrada entre diferentes secretarias municipais e instituições parceiras, fortalecendo uma rede que atua desde a prevenção até o acolhimento e a garantia de direitos.
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