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Polícia investiga retirada de camuflados e armas dos corpos encontrados na mata e colocados em praça

"Temos vídeos de indivíduos retirando roupas camufladas dos marginais e colocando em via pública. Vamos identificar todos", disse o secretário de Polícia Civil do Rio, Felipe Curi.

Gabriel Alves

30 de outubro de 2025 às 15:55   - Atualizado às 15:55

Corpos enfileirados após megaoperação no Rio.

Corpos enfileirados após megaoperação no Rio. Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) instaurou uma investigação para identificar moradores que teriam removido roupas camufladas e armas de suspeitos mortos durante a megaoperação realizada na terça-feira, 28 de outubro, nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital.

A apuração, conduzida pela 25ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo), trata o caso como fraude processual, já que a retirada de objetos das vítimas pode alterar a cena do crime e comprometer a coleta de provas.

Em coletiva de imprensa na quarta (29), o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que imagens registraram civis retirando fardamentos táticos usados por integrantes do Comando Vermelho e deixando os itens em vias públicas após o fim dos confrontos.

“Essas pessoas serão investigadas por fraude processual. Temos vídeos de indivíduos retirando roupas camufladas dos marginais e colocando em via pública. Vamos identificar todos”, declarou Curi.

O secretário também atualizou o balanço da operação, que já soma 132 mortos, 113 presos: sendo 33 oriundos de outros estados, 10 adolescentes apreendidos, mais de 100 armas, 14 artefatos explosivos, milhares de munições e toneladas de drogas apreendidas.

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Curi classificou o cenário encontrado pelas forças de segurança como uma “guerra urbana”.

“O que a polícia encontra hoje não é mais uma questão de segurança pública. É guerra. Polícia nenhuma do mundo faz o que as polícias Militar e Civil fazem no Rio. Pode chamar CIA, FBI, até a Nasa: não vão fazer o que fazemos”, afirmou.

Segundo o secretário, a operação foi planejada por mais de um ano, e a área de mata foi escolhida propositalmente para reduzir o risco à população civil.

“Decidimos aumentar o risco para as nossas tropas e proteger a população. Ocorreu como planejamos. A lógica é inversa: quanto mais inteligência, mais confronto”, disse.

A ação, a mais letal da história do país, resultou ainda na morte de quatro policiais, que, segundo o comando da corporação, são considerados “heróis” por terem morrido em defesa da população.

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