De acordo com a Polícia Civil, uma das vítimas chegou a entregar R$ 20 mil em espécie, além de realizar pagamentos mensais, para impedir a divulgação de informações a seu respeito.
Emerson Freitas participa do programa Fala Político. Foto: Beto Dantas/Portal de Prefeitura
A Polícia Civil de Pernambuco detalhou, nesta sexta-feira (6), as investigações contra o criador de conteúdo digital e deputado estadual eleito em 2026, Emerson Freitas (MDB).
Segundo o inquérito, ele cobrava dinheiro de pessoas envolvidas em atividades criminosas para evitar a publicação de conteúdos sobre elas em seu perfil no Instagram, que reúne cerca de 1 milhão de seguidores.
De acordo com a investigação, uma das vítimas chegou a entregar R$ 20 mil em espécie ao criador de conteúdo digital, além de realizar pagamentos mensais, para impedir a divulgação de informações a seu respeito.
Emerson também é suspeito de cobrar valores sob a promessa de interferir no andamento de processos judiciais e investigações.

Emerson Freitas foi indiciado pelos crimes de extorsão, exploração de prestígio e lavagem de capitais.
A prisão preventiva foi decretada em 29 de outubro, mas ele chegou a ficar foragido. Na última terça-feira (3), o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) suspendeu a ordem de prisão.
Atualmente, o deputado eleito responde em liberdade e é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Segundo o delegado Jorge Pinto, responsável pelo caso, o inquérito teve início a partir de denúncias sobre supostos toques de recolher em comunidades do Recife. Na época, Emerson Freitas era um dos principais responsáveis por divulgar informações sobre esses episódios nas redes sociais.
Durante a apuração dos casos, porém, a Polícia Civil recebeu denúncias sobre a própria conduta do criador de conteúdo digital. Testemunhas relataram que ele condicionava a publicação ou a retirada de conteúdos ao pagamento de dinheiro por pessoas ligadas à criminalidade.
Em entrevista coletiva, o delegado explicou que as investigações identificaram diferentes situações em que Emerson teria negociado a divulgação de informações.
A polícia também apreendeu o celular de uma das vítimas e encontrou mensagens que, segundo os investigadores, demonstram negociações financeiras entre ela e Emerson. Conforme o inquérito, algumas pessoas aceitavam pagar por medo de terem seus nomes associados a outros crimes ou de serem expostas nas redes sociais.
Além de negociar a publicação ou retirada de conteúdos nas redes sociais, Emerson também dizia ter influência sobre integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público. Segundo a Polícia Civil, ele prometia interferir em processos e investigações em andamento em troca de novos pagamentos.
O delegado Jorge Pinto afirmou que essa suposta influência não existia e era utilizada como estratégia para conseguir dinheiro das vítimas.
Ele utilizava uma falsa influência perante membros da magistratura e do Ministério Público como forma de obter novos benefícios. Ou seja, ele condicionava a suposta paralisação de processos ou de investigações em andamento ao novo recebimento de valores”, explicou.
Ainda segundo o delegado, a polícia analisou os processos mencionados durante as negociações e não encontrou irregularidades. Alguns deles, inclusive, terminaram com a condenação dos réus.
Para dificultar o rastreamento dos valores, Emerson costumava exigir pagamentos em espécie. Em um dos episódios investigados, recebeu R$ 20 mil de uma vítima durante um encontro em um mercado.
A polícia também identificou pagamentos realizados por meio de Pix em contas de terceiros. Segundo Jorge Pinto, o criador de conteúdo digital cobrava para manter o silêncio sobre pessoas envolvidas com atividades criminosas ou familiares ligados a elas.
Ele comprou o silêncio dessas pessoas ou de familiares ligados diretamente a essas pessoas, mediante pagamento em dinheiro ou através da utilização de Pix em nome de terceiros”, afirmou o delegado.
As investigações também apontaram a participação de uma servidora pública do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco (Detran-PE). Conforme a Polícia Civil, a mulher atuava como intermediária financeira, recebendo em sua conta pessoal transferências feitas pelas vítimas em benefício de Emerson.
A suspeita é de que ela sabia da origem criminosa dos recursos. O delegado afirmou que a servidora era amiga do criador de conteúdo digital e continuou recebendo os valores mesmo após ser alertada sobre a possibilidade de o dinheiro vir de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas.
A mulher foi indiciada por lavagem de dinheiro e responde ao processo em liberdade. Seu nome não foi divulgado pela polícia.
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