Operação Nêmesis cumpriu quatro mandados em cidades gaúchas e investiga publicações racistas, xenofóbicas, homofóbicas e transfóbicas nas redes sociais.
10 de setembro de 2026 às 16:10 - Atualizado às 16:16
Ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão no RS. Foto: Divulgação/PRF
A Polícia Federal apreendeu materiais com referências ao nazismo durante uma operação contra crimes de ódio praticados pela internet no Rio Grande do Sul. A Operação Nêmesis foi deflagrada nesta quinta-feira, 10 de setembro.
Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos investigados. As ações ocorreram em Porto Alegre, Canoas e Alvorada, na Região Metropolitana, e em Campo Bom, no Vale do Sinos.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura a divulgação de conteúdos de apologia ao nazismo, racismo, homofobia e transfobia em redes sociais. As identidades dos investigados não foram divulgadas.
As investigações indicaram que os suspeitos utilizavam perfis nas redes sociais para publicar mensagens que incitavam discriminação e preconceito contra pessoas negras, estrangeiras, homossexuais e transexuais.
Os agentes também identificaram postagens que, conforme a PF, promoviam apologia ao nazismo. A corporação não detalhou há quanto tempo os conteúdos eram publicados nem informou o alcance dos perfis investigados.
A Polícia Federal também apura se existe alguma ligação entre os quatro investigados e se as publicações eram produzidas ou compartilhadas de maneira coordenada.
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais recolheram aparelhos celulares e outros dispositivos eletrônicos considerados relevantes para a investigação.
Em um dos endereços, também foram encontrados livros sobre Adolf Hitler, panfletos de propaganda nazista e um quepe com símbolos associados ao regime nazista, segundo informações divulgadas pela imprensa gaúcha.
Os equipamentos eletrônicos serão submetidos à análise. O objetivo é identificar a origem das publicações, outros possíveis envolvidos e eventuais conexões entre os perfis monitorados.
Ninguém foi preso durante a operação. Os mandados tinham como finalidade a coleta de materiais e informações que possam contribuir com o andamento do inquérito.
A Lei nº 7.716, de 1989, criminaliza a prática, a indução ou a incitação à discriminação e ao preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
A legislação também prevê pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, para quem fabricar, comercializar, distribuir ou divulgar símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a suástica para promover o nazismo.
Quando os crimes de discriminação previstos na lei são cometidos por meio de redes sociais, da internet ou de outros meios de comunicação, a pena prevista também pode chegar a cinco anos de reclusão, além de multa.
O enquadramento definitivo das condutas investigadas dependerá da análise do material apreendido e da continuidade da investigação. Os alvos ainda não foram denunciados ou julgados, devendo ser tratados como investigados enquanto o caso estiver em apuração.
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