Golpe com perfil falso de The Rock leva à prisão em Santa Catarina. Créditos: Reprodução/Divulgação
A prisão de um homem em Santa Catarina, apontado como operador financeiro de um esquema internacional que usava perfis falsos do ator Dwayne Johnson, o The Rock, acendeu um sinal de alerta para um tipo de golpe que mistura emoção, fama e promessa de dinheiro fácil. A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e revela um modo de atuação sofisticado, que se apoia na confiança gerada pela imagem de uma celebridade mundial para atrair e enganar vítimas no Brasil.
Segundo a polícia, o suspeito, de 32 anos, é natural do Benim, na África, e morava em Santa Catarina, onde teria a função de movimentar valores e dar suporte ao núcleo estrangeiro da quadrilha. A atuação dele seria peça-chave na engrenagem financeira do esquema criminoso, responsável por receber transferências, especialmente via PIX, e redistribuir os recursos obtidos com o crime.
As investigações começaram em setembro deste ano e culminaram na deflagração da operação que resultou no cumprimento de mandado de prisão preventiva e bloqueio judicial de valores ligados ao investigado. Além da prisão, foram executados dois mandados de busca e apreensão em Florianópolis e Itajaí, também em Santa Catarina, onde agentes recolheram celulares e dispositivos eletrônicos que agora serão periciados.
O golpe com The Rock começava com a criação de perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagem, que usavam fotos e dados do ator Dwayne Johnson, conhecido mundialmente como The Rock. As vítimas eram abordadas com mensagens supostamente enviadas pelo artista, em inglês, em um tom próximo e pessoal, até que se estabelecesse um vínculo emocional.
Com a confiança construída, os criminosos informavam às vítimas que elas teriam sido contempladas com um prêmio internacional no valor de 800 mil euros, algo em torno de milhões de reais. Essa promessa de ganho extraordinário, vinda de uma figura famosa, funcionava como um gatilho psicológico poderoso, especialmente para pessoas em situação de fragilidade emocional ou financeira.
Para reforçar a credibilidade da farsa, o grupo enviava documentos falsificados, fotos de pacotes lacrados, supostos comprovantes de entregas internacionais e mensagens que simulavam comunicação com empresas de logística ou autoridades aduaneiras. O objetivo era criar a sensação de que o prêmio era real e que só faltavam trâmites burocráticos para a liberação do dinheiro.
Quando as vítimas já estavam emocionalmente envolvidas e convencidas de que receberiam o prêmio milionário, começava a segunda fase do golpe. Nessa etapa, os golpistas passavam a exigir pagamentos antecipados para cobrir taxas, seguros, impostos ou supostos custos alfandegários relacionados à liberação do valor de 800 mil euros.
Esses pagamentos eram direcionados a contas controladas pelo operador financeiro no Brasil, que, de acordo com as investigações, seria justamente o homem preso em Santa Catarina. As transferências eram realizadas principalmente via PIX, pela rapidez e dificuldade maior de reversão das operações.
Em um dos casos apurados, uma vítima de Brasília teve prejuízo de R$ 11,6 mil após acreditar que estava prestes a receber o prêmio internacional prometido em nome de The Rock. Outra vítima, em Minas Gerais, perdeu cerca de R$ 80 mil, valor enviado em diferentes parcelas, sempre sob a justificativa de novos custos e liberações necessárias.
A PCDF acredita que o número de vítimas pode ser bem maior do que o já identificado até agora. A análise técnica dos dispositivos apreendidos deve revelar novas conversas, transações financeiras e indícios de outras pessoas que podem ter sido enganadas pelo mesmo esquema.
O investigado vai responder por estelionato eletrônico, crime previsto na legislação brasileira com pena que pode variar de quatro a oito anos de prisão, além de multa. Caso sejam identificadas mais vítimas e comprovada a participação do suspeito em uma organização criminosa internacional, outras imputações penais podem ser avaliadas pelas autoridades.
Para a polícia, o caso também evidencia a necessidade de cooperação entre órgãos brasileiros e estrangeiros, já que parte da quadrilha estaria fora do país, articulando a criação dos perfis falsos e o contato inicial com as vítimas. A prisão em território nacional, porém, representa um passo importante para desarticular o braço financeiro dessa rede de estelionato.
Golpes que utilizam a imagem de celebridades se apoiam em um elemento central: a confiança espontânea que figuras públicas despertam em milhões de pessoas. Quando o nome é associado a promessas de prêmios ou oportunidades únicas, muitas vítimas baixam a guarda, acreditando estar diante de algo raro e exclusivo.
Entre os gatilhos mais explorados pelos criminosos estão:
Esse conjunto de fatores cria um ambiente de alta persuasão, em que a vítima passa a enxergar os pagamentos como um “investimento” para destravar um benefício muito maior. Quando percebe que se trata de um golpe, na maioria das vezes o dinheiro já foi pulverizado em diferentes contas bancárias.
Especialistas em segurança digital recomendam alguns cuidados básicos para reduzir o risco de cair em golpes desse tipo. O primeiro é desconfiar de qualquer promessa de prêmio em dinheiro, especialmente quando é exigido pagamento antecipado de taxas ou tarifas.
Também é essencial verificar se os perfis em redes sociais são oficiais, observando selos de verificação e canais de contato institucionais. Em caso de dúvida, a orientação é buscar informações em sites e canais oficiais do artista ou da empresa supostamente envolvida, sem clicar em links enviados por desconhecidos.
Outro ponto importante é nunca compartilhar dados pessoais, bancários ou senhas pelo WhatsApp, redes sociais ou e-mail com pessoas que não sejam plenamente conhecidas. Ao menor sinal de suspeita, a recomendação é interromper o contato e registrar boletim de ocorrência, preservando prints e comprovantes de transferência.
O caso envolvendo o uso da imagem de The Rock reforça que nenhum nome famoso está imune a ser usado de forma indevida por golpistas. A combinação de carisma, popularidade global e presença constante nas redes torna celebridades alvos recorrentes para fraudes digitais.
Para as autoridades, a prisão em Santa Catarina é um recado claro de que o Brasil está atento à evolução dos crimes de estelionato eletrônico, especialmente quando articulados com grupos internacionais. Para a população, fica o alerta: em tempos de promessas fáceis e contatos inesperados pela internet, a desconfiança pode ser a melhor proteção.
3
08:59, 13 Fev
25
°c
Fonte: OpenWeather
Thales Machado era genro do gestor municipal, Dione Araújo (UB), e escreveu, na noite da quarta-feira (11), uma carta aberta nas redes sociais.
As vendas de produtos eletrônicos eram feitas pela plataforma principal, mas os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada.
Juliana, de 27 anos, começou a passar mal rapidamente, com problemas respiratórios. Ela foi levada ao hospital, mas sofreu uma parada cardíaca e morreu.
mais notícias
+