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Estado da Bahia lidera mortes violentas intencionais do Brasil, revela Instituto Sou da Paz

Segundo o levantamento, a taxa foi de 46,5 mortes por 100 mil habitantes

Romildo Lacerda

08 de julho de 2026 às 17:33   - Atualizado às 17:34

Polícia Militar da Bahia

Polícia Militar da Bahia Foto: Divulgação/PMBA

O estado da Bahia concentra o maior número de mortes violentas intencionais do Brasil e, paralelamente, figura entre os estados com pior desempenho na elucidação de homicídios. Os dados constam no estudo: Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, elaborado pelo Instituto Sou da Paz, que analisou os indicadores de investigação criminal em diferentes unidades da federação.

Segundo o levantamento, em 2023 o estado contabilizou 6.578 vítimas de mortes violentas intencionais (MVI), o maior total absoluto do país. A taxa foi de 46,5 mortes por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Amapá, que registrou 69,9 por 100 mil habitantes.

O estudo também aponta que a capacidade de esclarecer esses crimes permanece reduzida. Considerando a média entre 2020 e 2023, apenas 14% dos homicídios dolosos registrados na Bahia resultaram em denúncia apresentada pelo Ministério Público. O percentual coloca o estado entre os piores do país, superando apenas o Rio Grande do Norte, que apresentou índice de 9%.

Violência armada e desafios para as investigações

Os pesquisadores destacam que a Bahia reúne características que dificultam o trabalho investigativo. Entre os principais fatores estão a elevada incidência de homicídios cometidos com armas de fogo, a presença de organizações criminosas e os altos índices de mortes decorrentes de intervenções policiais.

De acordo com o diagnóstico, 83% dos homicídios registrados no estado são praticados com armas de fogo, um dos maiores percentuais do Brasil. Além disso, em 2023, 25,8% das mortes violentas intencionais ocorreram durante ações policiais, índice que supera em mais do que o dobro a média nacional, fixada em 13,8%.

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O levantamento aponta ainda uma relação entre estados com elevada letalidade policial e baixos índices de esclarecimento de homicídios. Conforme os pesquisadores, modelos de segurança pública mais voltados ao confronto costumam estar associados a menor capacidade de investigação.

Outro aspecto destacado é que homicídios cometidos com armas de fogo, especialmente em vias públicas e ligados a disputas entre organizações criminosas, tendem a deixar menos vestígios materiais e contam com um número reduzido de testemunhas dispostas a colaborar. Esse cenário torna as investigações mais complexas, prolonga o tempo necessário para a identificação dos responsáveis e exige maior emprego de recursos por parte das autoridades responsáveis pela apuração dos crimes.
 

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