Um dos casos aconteceu no Hospital da Restauração e o outro no Hospital Getúlio Vargas. Em ambos, as vítimas estariam em espaços utilizados para descanso.
07 de agosto de 2026 às 09:25 - Atualizado às 09:31
Corredor de hospital. Foto: Ilustração
Duas técnicas de enfermagem denunciaram terem sido vítimas de violência sexual enquanto trabalhavam em hospitais públicos da rede estadual no Recife. Os episódios ocorreram em unidades diferentes e, segundo a defesa das profissionais, envolveram dois servidores que também atuavam como técnicos de enfermagem.
Um dos casos aconteceu no Hospital da Restauração, no Derby, e o outro no Hospital Getúlio Vargas, no Cordeiro. Em ambos, as vítimas estariam em espaços utilizados para descanso durante o plantão quando foram surpreendidas. Os nomes das mulheres e dos denunciados não foram divulgados.

O episódio registrado no Hospital da Restauração ocorreu em 2024. Ao g1, o advogado Jefferson Neves, que representa as vítimas, disse que a profissional dormia na área de repouso quando foi abordada pelo servidor.
A defesa afirma que o homem iniciou contato físico enquanto ela descansava e continuou mesmo após a técnica demonstrar que não queria a aproximação.
Em julho deste ano, o acusado foi condenado em segunda instância pelo crime de estupro. A decisão estabeleceu cumprimento de pena em regime semiaberto e pagamento de indenização de R$ 10 mil à vítima.
O processo ainda pode ser levado ao Superior Tribunal de Justiça, já que o prazo para apresentação de recurso não havia terminado.
Na área administrativa, a Secretaria Estadual de Saúde abriu um Processo Administrativo Disciplinar para apurar o episódio. A defesa, porém, afirma que o procedimento ainda não foi concluído.
A segunda denúncia se refere a um caso ocorrido em março deste ano no Hospital Getúlio Vargas.
De acordo com o relato apresentado pela defesa, a técnica de enfermagem descansava durante o plantão quando percebeu que estava sendo tocada por um colega. Ao acordar, teria constatado que o servidor tocava suas partes íntimas.
A mulher gritou e outras pessoas se aproximaram do local. O caso foi posteriormente registrado na Delegacia do Cordeiro.
A vítima e testemunhas já prestaram depoimento à Polícia Civil. O inquérito ainda estava em andamento e não havia sido encaminhado ao Ministério Público de Pernambuco.
Segundo o advogado, a profissional passou a realizar acompanhamento psicológico e relata medo ao encontrar o investigado em outros ambientes.
A defesa afirma que, embora existam espaços de descanso separados entre homens e mulheres nas unidades, a quantidade de vagas nem sempre atende todos os profissionais que trabalham durante os plantões.
Com isso, alguns servidores utilizariam áreas compartilhadas ou descansariam nos próprios setores de atuação. O servidor investigado no caso do HGV foi afastado preventivamente por 30 dias por meio de portaria publicada em julho.
A Secretaria Estadual de Saúde informou que os dois servidores foram afastados preventivamente e que Processos Administrativos Disciplinares foram instaurados.
A pasta também afirmou que o Hospital da Restauração e o Hospital Getúlio Vargas possuem áreas de repouso separadas por gênero.
Ainda segundo a secretaria, as unidades intensificaram ações internas de orientação e prevenção à violência contra a mulher, além de reforçarem os canais disponíveis para denúncias.
A defesa informou ainda que outras quatro mulheres procuraram o escritório relatando possíveis episódios semelhantes. Até o momento, porém, elas não formalizaram denúncias por receio de impactos no vínculo profissional.
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