Zema ataca João Campos por publicidade da Prefeitura Fotos: Divulgação
O ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, elevou o tom das críticas ao ex-prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB). Em vídeo divulgado nas redes sociais, Zema questionou a gestão do socialista na capital pernambucana e direcionou críticas principalmente aos gastos com publicidade e à política relacionada às casas de apostas, as chamadas bets.
A declaração faz parte de uma ofensiva política de Zema durante a campanha presidencial de 2026. No vídeo, o candidato utiliza a expressão “intocável das bets” para se referir a João Campos e afirma que o Recife teria se transformado em uma espécie de referência para o setor de apostas.
As acusações feitas por Zema são de natureza política e devem ser tratadas como declarações do candidato. Eventuais irregularidades envolvendo contratos públicos, publicidade ou legislação municipal dependem de apuração pelos órgãos competentes.
Um dos principais pontos da fala de Zema envolve a publicidade realizada durante a administração de João Campos no Recife.
O candidato do Novo afirma que recursos públicos teriam sido utilizados em campanhas que, na avaliação dele, contribuiriam para promover politicamente o então prefeito.
Segundo Zema, a comunicação institucional teria sido utilizada de maneira indireta para fortalecer a imagem de João Campos antes da disputa pelo Governo de Pernambuco.
O ex-governador também cita reportagens e denúncias relacionadas aos gastos publicitários da Prefeitura e questiona a utilização dessas campanhas fora da capital pernambucana.
A crítica ocorre em um momento em que a publicidade institucional passou a ganhar ainda mais relevância no debate eleitoral. João Campos deixou a Prefeitura do Recife neste ano para disputar o Governo de Pernambuco, e as ações realizadas durante sua gestão passaram a ser utilizadas pelos adversários na campanha.
A parte mais contundente da declaração de Zema, entretanto, está relacionada às casas de apostas.
Ao apresentar imagens do Recife com publicidade de empresas do setor, o candidato à Presidência afirmou que a cidade teria se transformado na “capital das bets” e responsabilizou politicamente a administração de João Campos pela situação.
Zema também citou uma mudança na tributação municipal relacionada às atividades de apostas. Segundo informações reproduzidas na cobertura do episódio, durante a administração de Campos houve redução da alíquota do ISS para serviços relacionados a loterias e apostas.
O candidato utiliza essa questão como um dos principais argumentos para criticar o ex-prefeito.
A fala, entretanto, precisa ser contextualizada: a existência de uma alteração tributária não significa, por si só, que tenha ocorrido qualquer irregularidade. A interpretação política sobre os efeitos da medida é o ponto central da crítica apresentada por Zema.
A ofensiva contra João Campos também está diretamente relacionada à posição de Zema sobre as casas de apostas.
O candidato do Novo tem defendido uma postura de forte restrição ao setor e afirmou que pretende proibir as bets caso seja eleito presidente da República. A proposta faz parte de um discurso mais amplo contra a expansão das plataformas de apostas esportivas e jogos online.
No vídeo direcionado a João Campos, Zema relaciona o tema à proteção das famílias e critica a presença de publicidade de empresas de apostas em espaços públicos e eventos.
A discussão sobre as bets ganhou força no Brasil nos últimos anos, principalmente após o crescimento acelerado das plataformas digitais. O debate envolve questões tributárias, publicidade, fiscalização e possíveis impactos financeiros e sociais provocados pelo excesso de apostas.
A declaração de Zema também ocorre em meio à disputa pelo Governo de Pernambuco.
João Campos deixou a Prefeitura do Recife após exercer o cargo desde 2021 e passou a concentrar sua atuação na campanha estadual. O ex-prefeito é um dos principais nomes da disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Com a saída da Prefeitura, decisões tomadas durante sua administração passaram a integrar o debate eleitoral.
Gastos com publicidade, investimentos, obras e políticas públicas são apresentados por aliados como parte do legado da gestão e, pelos adversários, como pontos que precisam ser questionados.
É nesse ambiente que Zema direciona seu discurso ao ex-prefeito.
A crítica a João Campos também faz parte da estratégia nacional de Zema.
Ex-governador de Minas Gerais por dois mandatos, Zema deixou o cargo para disputar pela primeira vez a Presidência da República pelo Novo. Na campanha, tem adotado um discurso de oposição ao governo Lula e de crítica ao que classifica como privilégios de grupos políticos.
A expressão “intocáveis” passou a fazer parte da comunicação política do candidato. Em outros discursos e peças de campanha, Zema também utiliza o termo para atacar figuras que considera integrantes de uma elite política ou institucional.
A escolha de João Campos como alvo dessa campanha coloca Pernambuco no centro da estratégia de comunicação do presidenciável.
A disputa estadual de Pernambuco tem colocado João Campos e a governadora Raquel Lyra no centro do cenário político local. A saída do prefeito do Recife para disputar o Governo do Estado também aumentou a exposição nacional do ex-prefeito.
Nesse contexto, críticas de candidatos à Presidência podem ganhar repercussão além do estado.
No caso de Zema, a estratégia combina dois assuntos de grande apelo eleitoral: gastos públicos e bets. O candidato utiliza esses temas para questionar decisões da administração municipal e, ao mesmo tempo, apresentar sua própria posição sobre as casas de apostas.
As declarações, porém, devem ser diferenciadas de conclusões oficiais sobre eventuais irregularidades. As acusações feitas por um candidato durante uma campanha representam seu posicionamento político e precisam ser confrontadas com documentos, dados públicos e manifestações dos envolvidos.
A fala de Zema coloca, assim, João Campos novamente no centro de uma discussão que ultrapassa a eleição estadual e alcança o debate nacional sobre publicidade pública, apostas esportivas e uso de recursos públicos.
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