TRE PE Foto: Divulgação.
A Justiça Eleitoral de Pernambuco determinou a suspensão parcial da divulgação de uma pesquisa eleitoral do Instituto Conecta sobre a disputa pelo Governo do Estado nas eleições de 2026. A decisão foi proferida pelo Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), que identificou indícios de falta de neutralidade em uma das perguntas do questionário aplicado aos eleitores.
O levantamento, registrado sob o protocolo PE-03909/2026, tinha divulgação prevista para a próxima segunda-feira (13). A medida liminar foi concedida pelo desembargador auxiliar Fernando Braga Damasceno após representação apresentada pelo diretório estadual do Solidariedade.
A controvérsia envolve a pergunta de número quatro do questionário da pesquisa. Segundo a decisão judicial, o instituto apresentou aos entrevistados três cenários distintos de intenção de voto relacionando os pré-candidatos a diferentes apoios políticos nacionais.
Nos cenários questionados, o prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), aparecia associado ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já a governadora Raquel Lyra (PSD) era apresentada alternadamente como apoiada pelo governador Ronaldo Caiado, pelo senador Flávio Bolsonaro ou como candidata independente.
Na avaliação do magistrado, esse formato pode comprometer a imparcialidade exigida para pesquisas eleitorais, uma vez que associa os candidatos a diferentes lideranças políticas de forma assimétrica, influenciando potencialmente a percepção dos entrevistados.
Apesar da liminar, a Justiça não proibiu integralmente a divulgação do levantamento.
A decisão permite que os demais resultados da pesquisa sejam publicados, desde que sejam excluídos os dados referentes aos três cenários da pergunta considerada irregular. Dessa forma, permanecem autorizadas as demais informações do estudo que não estejam relacionadas ao item questionado na ação judicial.
Além da discussão sobre a metodologia do questionário, a ação também questionou a origem dos recursos utilizados para custear a pesquisa.
Segundo a representação, o Instituto Conecta declarou investimento de R$ 30 mil em recursos próprios, mas não teria apresentado documentação suficiente para demonstrar a disponibilidade financeira correspondente.
Na decisão, o desembargador determinou que a empresa apresente, no prazo de 48 horas, documentos complementares, como extratos bancários ou fluxo de caixa, para comprovar a capacidade financeira informada no registro da pesquisa.
O TRE-PE estabeleceu multa diária de R$ 10 mil em caso de divulgação dos resultados suspensos, conforme previsto na decisão liminar.
A medida permanecerá válida até nova deliberação da Justiça Eleitoral, que poderá manter, modificar ou revogar a decisão após a análise da documentação e das manifestações das partes envolvidas.
As pesquisas eleitorais registradas para as eleições de 2026 continuam sendo acompanhadas pela Justiça Eleitoral, que pode analisar tanto aspectos metodológicos quanto o cumprimento das exigências previstas na legislação.
A atuação do TRE-PE busca assegurar que os levantamentos divulgados durante o período eleitoral atendam aos critérios de transparência, neutralidade e confiabilidade, preservando o direito dos eleitores ao acesso a informações produzidas de acordo com as regras estabelecidas para esse tipo de pesquisa.
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