Tradição preservada por gerações de artesãs do Agreste pernambucano ganha registro que pode ampliar oportunidades para a produção local.
30 de setembro de 2026 às 15:56 - Atualizado às 16:07
Renda renascença já é Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. Foto: Felipe Eugênio/Fenearte
O trabalho de gerações de rendeiras de Poção, no Agreste de Pernambuco, ganhou um novo reconhecimento nacional. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à produção de renda renascença do município o registro de Indicação Geográfica, na modalidade Indicação de Procedência.
A decisão foi publicada na terça-feira, 29 de setembro, na Revista da Propriedade Industrial. O registro reconhece a reputação de Poção como centro produtor desse artesanato, ligado à história, à cultura e à economia da cidade.
O pedido foi apresentado pela associação que representa as artesãs e os artesãos locais e contou com apoio do Sebrae. Para obter o reconhecimento, foi necessário demonstrar que o nome do município se tornou conhecido pela produção das peças de renda renascença.
A Indicação Geográfica identifica a relação de um produto ou serviço com sua origem. Na modalidade concedida a Poção, o destaque está na notoriedade do território como centro de produção. O instrumento pode ajudar a diferenciar as peças no mercado e fortalecer a atividade econômica dos produtores.
O reconhecimento também oferece uma ferramenta de valorização das tradições locais. Seus possíveis benefícios incluem maior visibilidade, melhores condições de acesso a mercados e estímulo ao desenvolvimento regional.
Para Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, a conquista abre oportunidades no Brasil e no exterior. Ela também destaca a importância de proteger o trabalho dos artesãos contra apropriações indevidas e agregar valor ao conhecimento tradicional.
Produzida manualmente com linha, agulha e lacê, a renda renascença chegou a Poção na década de 1930. O lacê é a fita utilizada como base para construir os desenhos das peças.
Segundo o histórico apresentado ao INPI, Maria Pastora levou a técnica ao município após aprender o ofício no Convento Santa Teresa, em Olinda. Ela ensinou a artesã Elza Medeiros, conhecida como Lala, que compartilhou o conhecimento com outras pessoas.
Em meio às dificuldades provocadas pela seca, a atividade passou a representar uma alternativa de sustento para as famílias. A transmissão entre mães, filhas, mestras e aprendizes ajudou a manter o trabalho artesanal e consolidar sua presença na identidade de Poção.
A conquista se soma ao reconhecimento da renda renascença de Poção como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. A aprovação ocorreu por unanimidade no Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural, em julho de 2026.
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