Reconhecimento protege uma tradição transmitida entre gerações e fortalece o trabalho das rendeiras do Agreste.
08 de setembro de 2026 às 09:37 - Atualizado às 09:41
A Renda Renascença possui forte presença em municípios como Poção, Pesqueira e Jataúba. Foto: Divulgação
Os saberes e modos de fazer da Renda Renascença foram reconhecidos como Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco. A medida valoriza uma das principais expressões do artesanato do estado e amplia a proteção de uma tradição mantida por gerações de rendeiras do Agreste.
O processo foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) durante uma reunião realizada em 9 de julho, no município de Poção, conhecido como a Capital da Renda Renascença.
A decisão foi formalizada posteriormente pela Resolução nº 08/2026, de 6 de agosto. O reconhecimento definitivo ocorreu com o Decreto Estadual nº 61.293, assinado pela governadora Raquel Lyra em 31 de agosto de 2026.
Com a homologação, os “Saberes e Modos de Fazer da Renda Renascença de Pernambuco” serão inscritos no Livro de Registro dos Saberes, instrumento utilizado pelo Estado para documentar e preservar conhecimentos tradicionais.
A Renda Renascença é confeccionada manualmente e possui forte presença em municípios como Poção, Pesqueira e Jataúba. Além do valor artístico, a atividade representa uma importante fonte de renda para artesãs e famílias das áreas urbana e rural.
O conhecimento artesanal chegou ao Agreste pernambucano no início do século XX e passou a ser transmitido entre diferentes gerações. Ao longo do tempo, a produção tornou-se um símbolo da identidade cultural da região e ganhou espaço em feiras, exposições e mercados dentro e fora do estado.
A técnica também integra a economia criativa pernambucana. As peças possuem alto valor agregado por causa do trabalho minucioso e do tempo necessário para a produção, realizada inteiramente à mão.
Em Poção, associações e grupos de rendeiras atuam na produção e na comercialização das peças. O artesanato permanece como uma das principais atividades econômicas do município.
O título de Patrimônio Cultural Imaterial permite a criação e o fortalecimento de medidas voltadas à salvaguarda desse conhecimento. Entre as ações possíveis estão o registro da técnica, a transmissão do saber às novas gerações, a capacitação das artesãs e o incentivo à produção e à comercialização das peças.
O processo de reconhecimento foi acompanhado pela elaboração de um inventário cultural conduzido com a participação de rendeiras, pesquisadores, representantes do poder público e moradores dos municípios envolvidos.
Segundo Lindenberg Filho, coordenador da Comissão de Estudo do Saber Fazer da Renda Renascença e responsável pelo pedido de registro, o reconhecimento vai além de um título simbólico. Ele destacou a importância do artesanato para o sustento das famílias e para a transformação da realidade econômica de Poção.
O registro também reforça a necessidade de preservar não somente as peças produzidas, mas todo o conhecimento relacionado à atividade. Isso inclui as técnicas empregadas, as formas de aprendizagem, a organização coletiva das rendeiras e a relação do artesanato com a identidade das comunidades.
Com a homologação, o Estado reconhece oficialmente a importância histórica, social, econômica e cultural da Renda Renascença e assume o compromisso de desenvolver políticas destinadas à continuidade dessa tradição.
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