Pastor Silas Malafia no evento evangélico The Send Brasil 2026, na Arena Pernambuco. Foto: Reprodução
O Sintepe solicitou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) a abertura de investigação contra o pastor Silas Malafaia, líder religioso e político, após declarações feitas durante o evento The Send, realizado em 31 de janeiro na Arena Pernambuco.
O sindicato acusa Malafaia de proferir falas de “forte teor ofensivo e acusatório” contra a educação pública e os professores pernambucanos, classificando o discurso como um ataque à categoria.
Durante o evento, Silas Malafaia afirmou que os estudantes estão sendo “enganados pelos professores”, recorrendo à narrativa do “marxismo cultural”:
“Você está sendo enganado na escola. Você está sendo enganado por professores. Escuta, moçada, existe hoje uma coisa que é séria. É o chamado controle do pensamento pelo marxismo cultural. Se você pensar diferente, você é banido”, disse o pastor.
Ele também criticou posições contrárias às suas crenças sobre aborto e sexualidade:
“Se você for contra e tiver outra opinião contra aborto, se você for contra práticas homossexuais, se você for contra essa cultura, você é ridicularizado”.
O sindicato considera essas falas ofensivas, além de entender que estimulam desconfiança e confronto dos jovens contra os profissionais da educação pública.
Além das declarações, o Sintepe pede que o MPPE avalie se houve desvio de finalidade no uso da Arena Pernambuco e eventual utilização de recursos públicos durante o evento, com possível notificação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Participaram da audiência desta terça-feira (10) com o promotor Salomão Ismail Filho a presidenta do Sintepe, Ivete Caetano, e representantes da Adufepe (Associação dos Docentes da UFPE).
O promotor considerou os fatos “sérios” e informou que analisará quais providências podem ser adotadas.
Para Ivete Caetano, a denúncia é um passo importante para proteger a categoria de ataques de líderes políticos e religiosos.
“O que vimos na Arena Pernambuco pode configurar o uso de espaço público para desmoralizar e incitar o ódio contra professores. O MPPE compreendeu a gravidade de chamar educadores de ‘enganadores’ e estimular jovens ao confronto nas escolas”, afirmou a dirigente sindical.
Segundo o Sintepe, as falas do pastor podem configurar violações à Constituição Federal, à dignidade da pessoa humana e à liberdade de cátedra, gerando possíveis danos morais coletivos aos professores e professoras.
O MPPE ainda não definiu prazo para conclusão da análise. O sindicato afirma que seguirá acompanhando o caso e avalia outras medidas legais para defender os direitos da categoria e a educação pública.
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O projeto foca na urbanização da área adjacente ao Canal do ABC, próximo à comunidade Escorregou Tá Dentro.
O evento contou com a participação do secretário de Governo César Ramos, que nomeou Aylys Gomes e Pedro Lukas como representantes da folia.
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