Eles irão responder por dois homicídios com dolo eventual, quando se assume o risco de causar a morte da vítima, e por quatro lesões corporais de natureza leve.
Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Foto: Divulgação/PCR
Na manhã desta quarta-feira, 11 de dezembro, a Polícia Civil de Pernambuco indiciou quatro pessoas pelo desabamento do teto do Santuário de Nossa Senhora da Conceição, ocorrido no dia 30 de agosto, na Zona Norte do Recife.
O proprietário da Sun Brasil, empresa que instalou as placas solares no Santuário, e mais três funcionários foram indiciados por dois homicídios com dolo eventual, quando se assume o risco de causar a morte da vítima, e por quatro lesões corporais de natureza leve, referentes ao número de sobreviventes que formalizaram denúncia.
O inquérito policial, com mais de 500 páginas, conclui que o desabamento do teto do Santuário foi causado pela Sun Brasil, que deixou de realizar a vistoria necessária antes de instalar 120 placas solares, cada uma pesando 31 quilos. A instalação dessas placas acrescentou um peso total de 3,7 toneladas à estrutura.
Segundo o delegado Rafael Duarte, da Delegacia de Várzea do Recife, na Zona Oeste, os chumbadores internos estavam enferrujados e não passaram por uma vistoria adequada por parte da empresa. Ele ressaltou que esse problema não seria visível a olho nu.
“Legalmente falando, não há nenhuma legislação que obrigue [as empresas de instalação de placas solares] a terem um engenheiro antes de instalarem essas placas. Porém, qualquer um que tenha um conhecimento técnico suficiente para colocar essas placas sabe que é necessário”, disse.
No laudo sobre o desabamento é possível ver que a estrutura metálica, que sustentava a coberta, estava danificada. Mesmo com instalação de manta asfáltica, os parafusos estavam, os parafusos estavam enferrujados e apresentavam deformações acidentais, o que provocaria perda de aderência.
O laudo sobre o desabamento revela que a estrutura metálica que sustentava o teto estava danificada. Apesar da instalação de manta asfáltica, os parafusos estavam enferrujados e apresentavam deformações acidentais, o que comprometeria a aderência.
O delegado ainda afirmou, que antes da instalação dos painéis solares, a Sun Brasil enviou um funcionário para fazer algumas "perguntas simples sobre o local aos próprios contrantes, como, por exemplo, se havia algum problema". Como os problemas estruturais eram internos, a igreja assinou o contrato de serviço e a instalação foi feita.
Na investigação, concluiu-se que a empresa assumiu o risco de provocar a tragédia ao instalar a estrutura adicional sem realizar a análise técnica necessária previamente.
“Ele agiu com indiferença. Como se a culpa fosse do contratante, o que resulta no dolo eventual”, explicou o delegado
Ao ser questionado se o teto teria desabado sem o peso das placas solares, o gestor do Instituto de Criminalística, Rogério Dantas, afirmou que não poderia afirmar com certeza, sendo necessária uma avaliação ao longo do tempo para determinar a causa exata.
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