O balanço alarmante foi divulgado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) após a Região Metropolitana do Recife registrar dois novos ataques em menos de 48 horas.
Placas com alertas sobre tubarões são vandalizadas no Grande Recife; mais de 50 já foram destruídas Foto: Reprodução
Mais de um terço das placas de alerta sobre ataques de tubarão foram arrancadas ou destruídas por vândalos no litoral de Pernambuco.
O balanço alarmante foi divulgado pelo Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) após a Região Metropolitana do Recife registrar dois novos ataques em menos de 48 horas.
Ao todo, das 150 sinalizações instaladas há pouco mais de um ano para proteger os banhistas, 55 acabaram depredadas.
Diante do cenário preocupante, a secretária executiva do Cemit, Danise Alves, fez um apelo público para que a população preserve os equipamentos. Ela reforçou que as peças servem para salvar vidas, indicando áreas de perigo real.
"A gente pede que, por favor, respeitem as placas. Inclusive, é um alerta que faço agora. A gente instalou 150 novas placas, a gente tem 95 placas. Foram instaladas em janeiro de 2025. Já perdemos algumas, retiradas ou danificadas por pichações e depredações"
A destruição das estruturas deixa a população vulnerável, especialmente em pontos críticos da orla onde a presença dos animais é historicamente monitorada.
Especialistas ressaltam que, além de observar os avisos na areia, quem frequenta as praias deve adotar cuidados práticos.
A orientação principal é evitar o banho de mar quando a maré estiver cheia ou com as águas turvas. Ficar longe da foz de rios e dar preferência a piscinas naturais formadas por recifes na maré baixa são medidas essenciais de proteção.
O monitoramento da orla também conta com o apoio do Corpo de Bombeiros, que utiliza bandeiras vermelhas para sinalizar valas e correntes de retorno móveis, que aumentam o risco de afogamentos.
Enquanto os militares adaptam diariamente essas bandeiras de acordo com o comportamento das ondas, as placas fixas contra ataques de tubarão continuam dependendo do respeito coletivo para cumprir seu papel preventivo e evitar novas tragédias nas praias pernambucanas.
Pernambuco voltou a registrar ataques de tubarão no litoral e acendeu o alerta para os riscos em áreas conhecidas pelo histórico de incidentes. Em um intervalo de pouco mais de 24 horas, uma jovem de 19 anos e um menino de 11 anos sofreram ataques em praias da Região Metropolitana do Recife e permanecem internados no Hospital da Restauração (HR).
O caso mais recente aconteceu na segunda-feira (1º), na Praia de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A vítima, identificada como Marcela Vitória de Lima Santos, sofreu um ataque enquanto estava no mar. A jovem perdeu a perna direita e precisou passar por uma cirurgia de emergência logo após dar entrada no Hospital da Restauração.
Segundo informações divulgadas pela unidade de saúde, Marcela segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A equipe médica realizou o procedimento para controlar o sangramento provocado pelos ferimentos causados pelo ataque.
De acordo com o médico Petrus de Andrade Lima, diretor do Hospital da Restauração, a paciente chegou ao hospital em situação extremamente delicada. Ele informou que Marcela apresentava um quadro de choque hemorrágico profundo quando recebeu atendimento especializado.
Ainda segundo o diretor da unidade, os primeiros socorros realizados ainda na faixa de areia foram fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência da jovem. O uso de um torniquete para conter a perda de sangue permitiu que ela chegasse ao hospital com condições de receber tratamento médico.
O Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarão (Cemit) identificou que o animal envolvido no ataque em Boa Viagem era um tubarão-tigre com cerca de três metros de comprimento.
Menos de um dia antes do caso registrado em Boa Viagem, outro ataque mobilizou equipes de resgate e profissionais de saúde. No domingo (31), João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, sofreu uma mordida de tubarão na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
A criança recebeu atendimento inicial no local e foi encaminhada ao Hospital da Restauração. Durante o tratamento, os médicos realizaram a amputação da perna esquerda do menino.
O hospital informou que João Lucas permanece internado na UTI Pediátrica. O quadro de saúde dele é considerado grave, mas estável.
O Cemit identificou que o ataque em Piedade envolveu um tubarão-cabeça-chata. Segundo o comitê, a análise do tamanho da mordida indicou que o animal possuía aproximadamente 2,5 metros de comprimento.
Especialistas explicaram que essa espécie costuma circular em áreas rasas para buscar alimento. Por esse motivo, existe risco de incidentes mesmo em trechos onde a profundidade da água não é elevada.
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