Lula e Camilo Santana. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Em meio à crise orçamentária enfrentada pela Universidade Federal de Pernambuco, o ministro da Educação, Camilo Santana, visitou nesta terça-feira (15) as obras do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), no Recife.
Acompanhado do reitor da UFPE, Alfredo Gomes, e do presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, o ministro reconheceu que não há previsão de aumento nos repasses federais para a instituição neste ano.
A visita ocorre uma semana após a UFPE anunciar um corte de gastos motivado pela redução dos recursos enviados pela União. Apesar de destacar que os investimentos em universidades federais cresceram R$ 9,4 bilhões nos últimos dois anos, Camilo Santana admitiu que o valor ainda é insuficiente para suprir todas as necessidades das instituições de ensino superior.
“Os anos de piores recursos orçamentários das universidades federais foram 2021 e 2022 e o reitor sabe disso. Então nós estamos recuperando e, claro, que ninguém pode recuperar tudo de uma vez. O orçamento das universidades é de R$ 61,5 bilhões, comparado a R$ 51,2 bilhões de 2022. Houve um crescimento significativo”, argumentou o ministro.
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) entrou em estado de alerta máximo diante da grave crise orçamentária que ameaça interromper suas atividades ainda em 2025. Em coletiva realizada no dia 8, o reitor Alfredo Gomes confirmou que a instituição só tem recursos assegurados até o mês de outubro e cobra um repasse urgente do Governo Lula para evitar a paralisação total de suas operações nos dois últimos meses do ano.
O orçamento aprovado para a UFPE em 2025 foi de R$ 170 milhões, mas a universidade afirma que esse valor é insuficiente para cobrir suas despesas operacionais, que somam cerca de R$ 17 milhões por mês. Em junho, o Governo Federal liberou uma recomposição de R$ 7,9 milhões, mas a administração da universidade alega que será necessária uma suplementação de pelo menos R$ 23,9 milhões para garantir o funcionamento até dezembro.
Diante do cenário crítico, a reitoria anunciou uma série de medidas emergenciais para contenção de gastos. Entre elas estão a redução de até 25% em 68 contratos vigentes, a suspensão de editais de fomento para graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão, além da limitação de atividades pedagógicas e cortes em diárias e passagens.
Apesar do ajuste severo, a UFPE garantiu que manterá as bolsas de assistência estudantil e o funcionamento dos restaurantes universitários nos campi do Recife e de Caruaru. No entanto, o reitor foi enfático ao dizer que, sem apoio do Governo Lula, a continuidade das atividades acadêmicas ficará comprometida.
A situação da UFPE não é isolada. Diversas universidades federais em todo o país enfrentam restrições orçamentárias em 2025, o que levanta um debate sobre o modelo de financiamento do ensino superior público no Brasil. Críticos apontam que o Governo Lula, embora historicamente associado à expansão da educação federal, ainda não conseguiu oferecer uma solução estrutural para as demandas crescentes dessas instituições.
A comunidade acadêmica, por sua vez, teme que a crise orçamentária resulte em perda de qualidade no ensino, evasão de alunos e enfraquecimento da produção científica. Sindicatos, associações docentes e estudantis devem intensificar a mobilização nas próximas semanas, pressionando o Planalto por um aporte emergencial que permita à UFPE e a outras federais manterem suas portas abertas até o fim do ano.
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