Com o marido cumprindo pena, Lucyanna Mendes viu nos presídios a dificuldade de visitantes para encontrar vestuário que obedecesse às exigências do sistema penitenciário.
06 de junho de 2026 às 12:01 - Atualizado às 12:20
A empreendedora Lucyanna Mendes tem 28 anos. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Uma necessidade observada durante as visitas ao sistema prisional acabou se transformando em oportunidade de negócio para uma jovem empreendedora pernambucana.
Aos 28 anos, Lucyanna Mendes criou uma marca voltada para a produção e venda de roupas e itens permitidos nas unidades prisionais, atendendo tanto pessoas privadas de liberdade quanto seus familiares. As informações são de Raphael Guerra, do Jornal do Commércio.
A ideia surgiu a partir da própria rotina. Com o marido cumprindo pena, ela passou a frequentar presídios e percebeu a dificuldade enfrentada por visitantes para encontrar vestuário que obedecesse às exigências estabelecidas pelo sistema penitenciário.
"Nas visitas, eu percebi o sofrimento de muitas mães e mulheres de presos para conseguirem comprar os fardamentos. As bermudas, por exemplo, não podem ter bolso nem logomarca. Vi nisso uma forma de ganhar dinheiro de forma honesta", contou.
Há cerca de um ano, ela lançou a marca Império Delas, especializada na comercialização de camisas, bermudas, calças, toalhas, sandálias e outros produtos usados no dia a dia dos detentos.
O negócio também oferece conjuntos femininos destinados às mães, esposas e companheiras dos internos, já que as visitantes também precisam seguir regras específicas de vestimenta para entrar nas unidades.
Formada em Logística, Lucyanna utiliza as redes sociais para divulgar os produtos. O perfil da loja reúne milhares de seguidores e conta com a ajuda da própria família.
A mãe, que é costureira, participa da confecção das peças, enquanto outros parentes colaboram na divulgação dos itens.
Além das vendas pela internet, a empreendedora mantém contato direto com o público. Nos dias de maior movimento, especialmente às terças, quartas, quintas-feiras e nos fins de semana, ela se desloca até as proximidades do Presídio de Igarassu, no Grande Recife, onde apresenta os produtos às famílias que aguardam o horário de visita.
Segundo ela, a procura costuma aumentar nos primeiros dias de cada mês, período em que muitas famílias recebem salário. O serviço também inclui entregas em unidades prisionais espalhadas por Pernambuco.
Os produtos são comercializados com valores considerados acessíveis. Camisas e bermudas custam R$ 20 cada, calças são vendidas por R$ 35 e cuecas por R$ 12. Já os conjuntos femininos destinados às visitantes saem por R$ 60.
A iniciativa atende a um público expressivo. Pernambuco possui atualmente mais de 25 mil pessoas em regime fechado, o que gera uma demanda constante por itens autorizados pelas unidades prisionais, conhecidos popularmente como "jumbos".
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