A fiscalização ocorreu após denúncias de moradores sobre demora na entrega da obra, falta de transparência sobre prazos e precariedade no atendimento à população.
Vereador Eduardo Moura fiscaliza obra em unidade de saúde no Recife. (Foto: Divulgação)
O vereador Eduardo Moura (NOVO) fiscalizou, nesta quarta-feira, 17 de junho, a situação da Unidade de Saúde da Família Vila do Ipsep, na Zona Sul do Recife, e cobrou explicações da Prefeitura sobre o atraso na reforma da unidade definitiva, localizada na Rua Virgínia Heráclio, e as condições de funcionamento do endereço provisório, na Rua Saturnino Meireles.
A fiscalização ocorreu após denúncias de moradores sobre demora na entrega da obra, falta de transparência sobre prazos e precariedade no atendimento à população.
Segundo relatório técnico elaborado pelo gabinete do vereador, a reforma da USF Vila do Ipsep se arrasta desde 2025, com relatos de paralisação, retirada da placa informativa e deslocamento dos usuários para outras unidades de saúde.
Moradores relataram ainda que a obra só voltou a ter movimentação depois de uma manifestação da comunidade, que cobrou a retomada dos serviços e a entrega da unidade.
Para Eduardo Moura, a situação exige explicações formais da Prefeitura do Recife sobre o cronograma, os contratos, os aditivos e a fiscalização da execução.
No local da obra, Eduardo afirmou que a estrutura ainda não apresenta condições de funcionamento e questionou a ausência de informações atualizadas sobre a execução do serviço.
“Aqui não tem como inaugurar um posto de saúde. Nós estamos no dia 17 de junho. Cadê os aditivos?”, questionou o vereador.
Ao observar sinais de paralisação no canteiro, Eduardo criticou o atraso da reforma.
“Está há tanto tempo parada a obra que a areia criou planta. Essa é a saúde do ex-prefeito João Campos que o prefeito Victor Marques pegou”, afirmou.
Durante a vistoria, também foi informado no local que a reforma estaria sendo executada pela Trópico Engenharia. Para o parlamentar, a Prefeitura precisa esclarecer se houve aditivos, quais foram os valores aplicados, qual o prazo atualizado de entrega e se houve responsabilização pelo atraso.
“Vocês não estão na construção de um novo prédio. Isso era para ser uma obra entregue no ano passado. Ficou parado um ano, sem um trabalhador. A Prefeitura do Recife tem muito o que explicar”, afirmou Eduardo Moura.
Na unidade provisória, instalada na Rua Saturnino Meireles, o vereador encontrou problemas estruturais e administrativos que, segundo ele, comprometem a qualidade do atendimento.
Entre os pontos verificados estão ar-condicionado quebrado em sala de atendimento, paredes com mofo, cadeiras danificadas, farmácia improvisada, ausência de refrigeração adequada para medicamentos e vacinas, além de irregularidades no acondicionamento do lixo hospitalar.
Eduardo também constatou que a gerente da unidade estava trabalhando na copa, em um espaço improvisado. Para o vereador, a situação revela falta de estrutura mínima para servidores e usuários.
“A gerente tem a responsabilidade de gerir uma unidade de saúde, que já foi trocada de um ponto para o outro, improvisada, cheia de bronca. Ela tem a responsabilidade de gerenciar equipes, pacientes, medicação e estrutura. Essa mulher tem que estar na copa? Eu pergunto se essa é a saúde que o ex-prefeito João Campos quer levar para Pernambuco”, criticou.
Moradores relataram dificuldades para conseguir atendimento e disseram que precisam chegar muito cedo à unidade para tentar uma vaga. Uma usuária afirmou estar há cerca de um ano aguardando atendimento psicológico.
“A minha briga é para vocês terem saúde de primeiro mundo, e essa é a condição que deixam vocês”, declarou Eduardo Moura durante a fiscalização.
A situação da USF Vila do Ipsep já havia sido objeto de vistoria do CRM-PE/CREMEPE, realizada em janeiro deste ano, quando a unidade provisória foi encontrada fechada e sem atendimento médico após a queda parcial do teto de gesso do consultório.
O relatório apontou ainda irregularidades como ausência de diretor técnico médico formalizado, unidade não inscrita no CRM, corpo clínico não atualizado, falta de alvará de prevenção e combate a incêndio dos Bombeiros e estrutura física inadequada para funcionamento assistencial.
Segundo informações registradas nos documentos analisados pelo gabinete, a USF Vila do Ipsep atende uma população cadastrada de aproximadamente 6.111 pessoas, com duas equipes de Saúde da Família.
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