Creches no Recife Foto: Divulgação
A ampliação da oferta de vagas em creches no Recife tem sido sustentada, em grande parte, por instituições privadas conveniadas à rede municipal de ensino. Dados da Prefeitura do Recife mostram que, das 18.619 vagas de creche destinadas a crianças de zero a três anos, 9.119 são ofertadas por unidades privadas credenciadas, o equivalente a aproximadamente 49% do total.
Desde 2023, a Secretaria de Educação destinou R$ 252,2 milhões às instituições conveniadas por meio de chamamentos públicos, consolidando esse modelo como uma das principais estratégias para ampliar o atendimento na educação infantil.
Entre os principais questionamentos ao modelo adotado pelo município estão as condições físicas de parte das unidades conveniadas, foram identificadas creches instaladas em imóveis adaptados, como casas e galpões, além de unidades que apresentavam obras em andamento ou estrutura ainda incompleta no momento do credenciamento.

Especialistas em educação infantil defendem que espaços destinados ao atendimento de crianças de zero a três anos devem atender rigorosamente a critérios de segurança, acessibilidade, ventilação, áreas de recreação e ambientes pedagógicos adequados, uma vez que a qualidade da infraestrutura influencia diretamente o desenvolvimento e o bem-estar das crianças.

Os números evidenciam que a expansão das vagas ocorreu majoritariamente por meio da contratação de entidades privadas, enquanto a rede própria do município continua responsável pela outra parcela do atendimento.
O sistema de convênios foi adotado para acelerar a criação de vagas e reduzir a fila de espera por creches na capital pernambucana.
Nesse formato, a Prefeitura credencia instituições privadas que passam a atender crianças da rede municipal mediante repasses financeiros, mantendo a gratuidade para as famílias.
A estratégia permitiu ampliar rapidamente a capacidade de atendimento sem depender exclusivamente da construção de novas unidades públicas, processo que costuma demandar mais tempo devido às etapas de licitação e execução das obras.
Levantamento com base em dados da Secretaria de Educação aponta que os contratos firmados com as entidades conveniadas somam R$ 252,2 milhões desde o início da política de expansão, em 2023.
Os recursos são destinados ao custeio das vagas ofertadas pelas instituições credenciadas, incluindo despesas relacionadas ao funcionamento das unidades e ao atendimento das crianças matriculadas pela rede municipal.
O volume de recursos coloca o programa entre os principais investimentos da Prefeitura na educação infantil durante o período.
Ao mesmo tempo em que ampliou o número de vagas disponíveis, o modelo de creches conveniadas passou a ser objeto de questionamentos sobre sua execução.
Entre os pontos levantados estão a transparência dos processos de credenciamento, a fiscalização das unidades, o cumprimento das exigências previstas nos editais e as condições estruturais de parte das instituições participantes.
Também foram divulgados relatos envolvendo supostas dificuldades relacionadas à infraestrutura, à composição das equipes e às condições de atendimento em algumas unidades. Essas situações são objeto de denúncias e procedimentos de fiscalização e ainda não representam conclusões definitivas dos órgãos competentes.
As contratações das creches conveniadas também são acompanhadas pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), que realiza auditoria para avaliar aspectos relacionados aos chamamentos públicos, aos contratos firmados e aos mecanismos de fiscalização adotados pelo município.
O trabalho busca verificar a regularidade da execução da política pública e poderá resultar em recomendações ou determinações administrativas, conforme as conclusões dos auditores.
Até o momento, não há decisão definitiva do tribunal sobre o conjunto das contratações.
A utilização de instituições privadas para ampliar a oferta de vagas em creches é uma prática adotada por diversos municípios brasileiros. No Recife, entretanto, a participação expressiva da rede conveniada — responsável por quase metade das vagas disponíveis para crianças de zero a três anos — tem ampliado o debate sobre o equilíbrio entre a expansão do atendimento e o fortalecimento da rede pública própria.
Enquanto a gestão municipal defende o modelo como uma alternativa para acelerar o acesso das famílias à educação infantil, especialistas e órgãos de controle apontam a importância de ampliar a transparência, o acompanhamento dos contratos e a fiscalização das unidades conveniadas, especialmente diante do elevado volume de recursos públicos destinados ao programa.
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