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Atlas revela impactos ambientais do derramamento de petróleo em 11 municípios de Pernambuco

Estudo da Fundaj mapeou 22 praias atingidas pelo desastre de 2019 e identificou manguezais, recifes e áreas urbanizadas em regiões vulneráveis.

Ricardo Lélis

05 de novembro de 2026 às 20:54   - Atualizado às 21:15

Praia atingida por mancha de petróleo.

Praia atingida por mancha de petróleo. (Foto: Divulgação/Agência Petrobras)

O derramamento de petróleo que atingiu o litoral nordestino em 2019 continua sendo uma referência dos impactos ambientais e socioeconômicos provocados por grandes desastres na costa brasileira.

Em Pernambuco, onde 11 municípios foram atingidos, os efeitos do episódio ganharam uma nova dimensão de análise com o lançamento de um atlas que identifica os ecossistemas e as áreas urbanizadas presentes nas regiões afetadas.

O levantamento foi apresentado na quarta-feira, 4 de novembro, pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) e identificou 22 praias diretamente atingidas pelo desastre no estado.

,Intitulado Atlas das Praias Atingidas pelo Desastre Tecnoindustrial do Derramamento de Petróleo, o estudo mapeou 94,66 km² de áreas temáticas nas zonas costeiras pernambucanas.

Entre os ambientes identificados estão manguezais, recifes de corais, vegetação nativa, áreas urbanizadas e faixas de areia. A pesquisa chama atenção para a proximidade entre ecossistemas ambientalmente sensíveis e regiões com intensa ocupação humana, onde atividades como pesca artesanal, mariscagem e turismo representam importantes fontes de renda.

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A combinação desses fatores ajuda a compreender a dimensão dos danos provocados pelo petróleo. Além da contaminação dos ambientes naturais, o desastre atingiu regiões cuja população depende diretamente dos recursos oferecidos pelo litoral para garantir o sustento.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Manguezais e recifes estão entre os ambientes mais vulneráveis

Um dos principais pontos destacados pelo atlas é a importância dos manguezais para o equilíbrio dos ecossistemas costeiros.

Esses ambientes funcionam como áreas de reprodução e desenvolvimento de espécies marinhas, ajudam a proteger o solo contra a erosão e sustentam atividades tradicionais de comunidades que vivem próximas ao mar.

Quando contaminados por resíduos oleosos, os manguezais podem sofrer alterações que comprometem a biodiversidade, a cadeia alimentar e a disponibilidade de recursos naturais utilizados por pescadores e marisqueiras.

O levantamento também identificou recifes de corais, corpos hídricos superficiais, afloramentos rochosos e diferentes tipos de cobertura vegetal nas áreas analisadas.

Em Pernambuco, a concentração desses ambientes aparece principalmente em trechos do Litoral Norte e da Região Metropolitana do Recife, onde a ocupação urbana também exerce pressão sobre a faixa costeira.

Outro aspecto importante apresentado pelos pesquisadores é que a ausência de manchas de petróleo identificadas diretamente nas imagens de satélite utilizadas no mapeamento não significa que os ambientes tenham ficado livres dos efeitos da contaminação.

Segundo o estudo, resíduos oleosos permaneceram incrustados em recifes, rochas e substratos arenosos, dificultando a recuperação natural de determinados trechos. Dessa forma, a análise considera que os impactos do desastre não podem ser avaliados apenas pela presença visível de manchas na superfície da água ou da areia.

Para elaborar o atlas, a equipe utilizou técnicas de processamento digital de imagens multiespectrais de satélite, com classificação supervisionada. As informações foram relacionadas às áreas onde o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia registrado depósitos de petróleo até 28 de outubro de 2019.

Ipojuca, Paulista e Tamandaré estão entre os municípios destacados

O levantamento apresenta diferentes características de vulnerabilidade ambiental nos municípios pernambucanos atingidos. No Litoral Sul, Ipojuca aparece entre os principais pontos de atenção pela concentração de recifes, manguezais, áreas urbanizadas e extensas faixas de areia.

A região também abriga Porto de Galinhas, um dos principais destinos turísticos do estado, o que evidencia a relação entre a conservação ambiental e as atividades econômicas desenvolvidas no litoral.

Nas áreas consideradas pela pesquisa, foram identificados 422,3 mil metros quadrados de recifes de corais, 943,1 mil metros quadrados de manguezais, 2,54 milhões de metros quadrados de áreas urbanizadas e 4 milhões de metros quadrados de faixa de areia branca.

Outro município destacado é Paulista, onde o atlas identificou 530,4 mil metros quadrados de corais e 2,4 milhões de metros quadrados de manguezais. Praias como Maria Farinha e Conceição exemplificam a proximidade entre áreas urbanizadas e ecossistemas costeiros que exigem atenção ambiental.

Em Olinda, a Praia del Chifre aparece como uma área que reúne manguezais, ocupação urbana e faixa de areia. Já em Goiana, localidades como Ponta de Pedras e Catuama apresentam a combinação entre áreas de preservação e pressão decorrente da ocupação humana.

No Litoral Sul, Tamandaré também integra o mapeamento. Na região da Praia dos Carneiros, foram identificados aproximadamente 858,8 mil metros quadrados de áreas de corais e 771,8 mil metros quadrados de manguezais.

A capital pernambucana também aparece no estudo, com destaque para a extensão da faixa arenosa e a ocupação urbana na Praia de Boa Viagem.

Outro município mencionado é Sirinhaém. Embora apresente menor densidade de vegetação nativa em comparação com outras áreas analisadas, a região possui ambientes costeiros importantes para a conectividade ecológica e a conservação da biodiversidade.

Ao reunir informações sobre os ecossistemas e a ocupação das áreas atingidas, o atlas da Fundaj amplia o conhecimento sobre a vulnerabilidade do litoral pernambucano.

O levantamento também oferece elementos para compreender como os impactos de um desastre ambiental podem ultrapassar os locais onde a contaminação foi inicialmente identificada, alcançando a biodiversidade e as comunidades que dependem diretamente do mar.

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