Irmãs gêmeas Natália Mendes Ferreira e Naiara Mendes Ferreira. (Foto: Arquivo Pessoal)
Duas irmãs gêmeas idênticas tiveram resultados diferentes na avaliação de heteroidentificação do concurso para o cargo de Oficial Investigador de Polícia da Polícia Civil do Espírito Santo.
Natália Mendes Ferreira foi considerada inapta para concorrer às vagas reservadas a candidatos negros, enquanto sua irmã, Naiara Mendes Ferreira, recebeu aprovação na mesma etapa. As duas se autodeclaram negras e afirmam ter sido surpreendidas pela decisão da banca examinadora.
O resultado preliminar da avaliação foi divulgado em 27 de outubro, aproximadamente dez dias depois da realização do procedimento presencial.
Naturais de Vitória e moradoras de Vila Velha, na Região Metropolitana da capital capixaba, as irmãs foram convocadas para a avaliação no mesmo dia e horário, mas passaram por bancas diferentes.
Natália foi encaminhada à banca 1, enquanto Naiara realizou o procedimento diante da banca 2. A diferença no resultado provocou questionamentos sobre os critérios utilizados na análise das características fenotípicas das candidatas.
Ao tomar conhecimento da reprovação, Natália relatou que inicialmente acreditou que pudesse ter ocorrido algum erro na divulgação ou na avaliação.
"A minha irmã mandou mensagem falando: 'Natália, não chora, você está inapta'. Fui, abri o site e vi que realmente era isso. Primeiro, eu achei que pudesse ser um erro de digitação, depois um erro de critério da banca, mas foi um choque!", contou.
A candidata também afirmou que encontrou relatos semelhantes em grupos de participantes do concurso nas redes sociais, com outras pessoas que se identificam como negras e também foram consideradas inaptas.
Depois da divulgação da lista preliminar, Natália apresentou um pedido de recurso para tentar reverter a decisão. Ela demonstrou confiança na possibilidade de aprovação, especialmente porque a irmã gêmea, que possui características físicas semelhantes, foi considerada apta pela comissão.
"Ter a minha irmã aprovada me conforta de certa forma, estou confiante. Eu acho que o meu recurso é o mais simples de todos. Além de eu não ter dúvidas de que eu sou uma pessoa negra, tem uma cópia minha lá!", afirmou.
Segundo o relato da candidata, o procedimento presencial foi realizado de maneira semelhante ao de outras avaliações das quais já havia participado. As duas irmãs estavam com roupas em tonalidades iguais e não utilizavam maquiagem.
Durante a heteroidentificação, os candidatos precisavam permanecer em uma marcação no chão, diante de uma câmera, informar nome, CPF e número de inscrição no concurso e realizar a autodeclaração racial. Natália afirmou que, no seu caso, não houve perguntas ou comentários da banca sobre suas características físicas.
Ela também relatou dificuldades relacionadas à espera para realizar a avaliação. Embora tenha chegado ao local por volta das 15h, uma hora antes do horário previsto para o atendimento, entre 16h e 17h, só foi liberada às 20h45, após enfrentar uma longa fila.
Natália destacou ainda que nunca havia sido reprovada em procedimentos de heteroidentificação. Ela e a irmã já tinham sido aprovadas em avaliações de outros processos seletivos, incluindo o concurso da Polícia Penal, em 2025.
Naiara também comentou a diferença entre os resultados e afirmou que esperava que as duas fossem aprovadas justamente por serem fisicamente muito parecidas.
"Quando eu vi o resultado, eu já achei que minha irmã fosse passar, porque a gente é idêntica. Algumas pessoas até confundem a gente, justamente por a gente ter características muito parecidas", relatou.
A relação preliminar da heteroidentificação do concurso da Polícia Civil do Espírito Santo contabilizou 629 registros. Desse total, 377 candidatos foram considerados aptos, enquanto 201 receberam resultado de inaptidão.
Entre os candidatos reprovados, 200 estavam inscritos nas vagas destinadas a pessoas negras ou pardas e um concorria na modalidade reservada a candidatos indígenas. Outros 51 participantes constam como ausentes na relação divulgada.
O caso das irmãs chama atenção pela diferença de avaliação entre duas pessoas com características físicas praticamente idênticas, que realizaram o procedimento no mesmo dia, mas foram examinadas por comissões distintas.
Com o recurso apresentado, Natália aguarda uma nova análise da decisão para tentar continuar concorrendo às vagas reservadas no concurso da Polícia Civil do Espírito Santo.
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O certame público será organizado pela Fundação Vunesp e contará com provas objetivas e discursivas.
De acordo com o termo de referência, os candidatos deverão realizar uma prova objetiva composta por 60 questões, com duração de quatro horas.
O pacote de benefícios oferecidos pode incluir assistência médica, plano odontológico, vale-refeição, vale-alimentação, previdência privada, seguro de vida e participação nos lucros e resultados.
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