Comediante Leo Lins. Foto: Reprodução/Instagram
Na última sexta-feira, 30 de maio, o humorista e comediante Leo Lins foi condenado pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo a 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado.
A Justiça entendeu que em suas declarações de caráter ofensivo e consideradas preconceituosas feitas em vídeo publicado no YouTube, ele tinha plena consciência e impôs multa R$ 1,4 milhão e indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 303,6 mil.
A decisão judicial destacou que a liberdade de expressão não se sobrepõe à dignidade humana nem pode ser usada como justificativa para incitar o ódio. Segundo o juiz, o caráter recreativo do show não elimina sua natureza criminosa.
Até o momento a defesa de Leo Lins ainda não se pronunciou oficialmente. A decisão cabe recurso.
Leo Lins, nome artístico de Leonardo de Lima Borges Lins, é um humorista, roteirista, escritor e ator nascido no Rio de Janeiro em 1982. Ficou conhecido nacionalmente pelo humor ácido, com forte presença no stand-up comedy e por integrar o elenco do programa "The Noite" com Danilo Gentilli, no SBT, entre 2014 e 2022. Ao longo da carreira, acumulou polêmicas por piadas envolvendo temas que ofendem as minorias.
Leo iniciou no stand-up em 2005 e foi um dos primeiros nomes da cena nacional. Publicou livros como Notas de um Comediante Stand-up (2009) e O Livro dos Insultos (2019). Também atuou em filmes de comédia e lançou vídeos com milhões de visualizações nas redes sociais, onde cultivou um público fiel.
Em 2022, o humorista publicou no YouTube o show "Perturbador", que gerou grande repercussão. O conteúdo, segundo o Ministério Público Federal (MPF), continha piadas preconceituosas contra negros, indígenas, obesos, nordestinos, LGBTQIA+, idosos, judeus, evangélicos, pessoas com deficiência e portadores de HIV. O vídeo acumulou mais de 3 milhões de visualizações antes de ser removido por ordem judicial em 2023.
Após a condenação, nomes como Fábio Porchat e Antônio Tabet criticaram a decisão. Porchat classificou a sentença como "vergonhosa". Tabet defendeu que piadas não devem ser julgadas como crimes, independentemente de agradarem ou não.
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