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Carnaval 2025: escola de samba terá enrendo sobre o candomblé

O grupo sonha com a vitória, que bateu na trave por várias vezes, mas agora é uma realidade para agremiação.

17 de fevereiro de 2025 às 12:19   - Atualizado às 12:24

Carnaval 2025 terá apresentação de candomblé no Rio de Janeiro.

Carnaval 2025 terá apresentação de candomblé no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

Vencedora da Série Ouro do Carnaval de 2024 no Rio de Janeiro, a Unidos de Padre Miguel volta a desfilar no Grupo Especial após 52 anos.

Com o enredo Egbé Iyá Nassô, neste Carnaval 2025, a escola levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí a história do Terreiro Casa Branca do Engenho Velho.

Fundado em Salvador, na Bahia, pela ialorixá Francisca da Silva, a Iyá Nassô, o espaço é considerado o primeiro terreiro de candomblé do Brasil.

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Sendo também considerado o primeiro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1984.

“Contamos a saga de uma mulher africana, membro da corte do Império de Oyó, que veio para o Brasil na condição de escravizada e que manteve a religiosidade, não se afastou da mãe África”, conta o carnavalesco Alexandre Louzada.

Carnaval 2025

Com 40 anos de trajetória no Carnaval carioca, Louzada estreia neste ano na Unidos de Padre Miguel.

“Dizemos que ela plantou o primeiro axé aqui no Brasil, que ela fundou, na verdade, o modelo de candomblé ketu no país”, complementa o arquiteto Lucas Milato.

Lucas continua pelo seu segundo ano como carnavalesco da escola de samba.

Com isso, ele é responsável pelo culto a Xangô, um dos principais orixás das religiões afro-brasileiras, no palácio do Alafin de Oyó.

Iyá Nassô teve a colaboração de outras duas ialorixás na construção da casa de candomblé na capital baiana.

Iyá Nassô no Carnaval

“A Iyá Nassô era de Oyó e a Iyá Adetá de Ketu. Elas trazem com essas influências africanas desses dois reinos extremamente importantes para a África”, explica Lucas em entrevista.

Portanto,isso justifica a preferência da diretoria da agremiação pela história do surgimento do candomblé no território nacional.

Entretanto, conhecendo assim como o Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, a Unidos de Padre Miguel que se trata de um grande “egbé”.

Palavra em iorubá que significa “comunidade”.

“O que escrevemos é que ‘egbé’ significa casa, uma grande comunidade, e a Unidos de Padre Miguel não é diferente. Ela vive e respira dentro de uma grande comunidade”, ressalta o carnavalesco.

Além disso, assim como o início da religião afro-brasileira no Brasil, a escola é liderada principalmente por mulheres.

Como traz Lucas, muitos pilares da Unidos de Padre Miguel são femininos, enquanto a Casa Branca do Engenho Velho é um terreiro de candomblé conduzido, criado e fundado por mulheres.

“É uma história que a nossa história oficial não conta”, reflete Alexandre, ao lado de Lucas. 

“Trazemos à tona personagens esquecidos pela história, porque na época colonial houve esse apagamento cultural, não só dos que vieram da África para o Brasil", acrescenta.

População negra

Segundo o Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,51% da população nacional se identifica como negra.

Outras, sendo 45,34% como parda e 10,17% como preta.

Da Vila Vintém à Sapucaí

Unidos de Padre Miguel é respeitada por ser diferente de muitas escolas que ascendem ao grupo especial.

“A Unidos de Padre Miguel é uma escola muito esperada pelo grande público, porque ela teve o seu reinado, vamos dizer assim, na Série Ouro por vários anos. É diferente de muitas escolas que ascendem ao grupo especial, porque ela já tem uma torcida própria”, comenta Alexandre.

Com isso, a tão sonhada vitória bateu na trave por várias vezes, mas agora é uma realidade para o grupo.

“Ela sempre foi tão esperada a ser vencedora e várias vezes bateu na trave. Agora, isso se torna realidade, então ela é uma escola que chega ao grupo especial gozando de uma simpatia maior do que em outros casos que já aconteceram de escolas que ascenderam ao grupo especial”. 

No carnaval de 2023, a escola encerrou em segundo lugar na Série Ouro. O mesmo resultado se repetiu nos desfiles de 2020, 2018, 2016 e 2015.

Apesar de a Unidos de Padre Miguel já ter desfilado antes na primeira divisão do carnaval do Rio de Janeiro, considerando o formato atual da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), essa é a primeira vez que a agremiação disputa no Grupo Especial.

Expectativa

A expectativa agora é “ser campeã, botar todas elas para trás”, diz Alexandre.

“Esse tem que ser o pensamento certo de um carnavalesco. Sabemos da dificuldade, sabemos que estrear no Grupo Especial é uma coisa muito difícil, porque vamos enfrentar grandes feras do carnaval, mas a gente vai com fé, porque nos foi dado condições de fazer um carnaval para disputar de igual para igual”.

A escola vai brigar para ser campeã, e retornar ao Desfile das Campeãs do Carnaval 2025.

“Geralmente, cria-se um paradigma de que a escola que subiu tem que brigar para não descer. Na verdade, não queremos ter esse pensamento. Queremos brigar para ser campeões, para conquistar um lugar no G6, o grupo das seis escolas que retornam para o Desfile das Campeãs”, continua Lucas.

Com informações da Agência Brasil

 

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