Nicolás Maduro com exercito da Venezuela Créditos: Divulgação/Prensa Presidencial
A tensão diplomática entre Venezuela e Estados Unidos voltou a escalar após novas declarações do alto escalão do regime chavista. Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Diosdado Cabello ministro do Interior, da Justiça e número dois do chavismo anunciou que militantes pró-Maduro serão treinados por indígenas para usar flechas envenenadas com curare, substância letal tradicionalmente usada por povos amazônicos.
A medida integra o que o governo chama de “defesa ativa contra ameaça extrema”, em referência ao aumento da presença militar dos EUA no Caribe, que inclui o porta-aviões USS Gerald Ford.
Segundo Cabello, o país mobilizou 4.523.822 ativistas com mais de 15 anos, integrantes dos Comitês Bolivarianos Integrais de Base. Ele orientou a militância a manter “pés firmes, nervos de aço e mobilização máxima”, afirmando que o regime está preparado para resistir a qualquer agressão externa.
A estratégia de incorporar práticas indígenas ao treinamento das brigadas bolivarianas tem forte peso simbólico. Em evento recente, o ditador Nicolás Maduro apareceu empunhando flechas em ato oficial pelo Dia da Resistência Indígena, reforçando a narrativa de união entre regime, forças militares e povos originários.
Cabello afirmou que militantes aprenderão técnicas indígenas de “armas silenciosas”, citando o uso de flechas com curare — veneno que paralisa músculos e pode levar à morte por insuficiência respiratória. “Eles vão descobrir o que é o curare”, declarou o ministro, em tom de ameaça.
Enquanto o regime chavista dramatiza a hipótese de um ataque militar americano, o governo dos Estados Unidos endureceu sua postura. O Departamento de Estado classificou o Cartel de Los Soles — rede criminosa atribuída a militares venezuelanos — como organização terrorista, vinculando diretamente suas operações ao governo Maduro.
Apesar da retórica dura, o presidente Donald Trump afirmou no fim de semana que não descarta diálogo com Caracas, embora aliados de Washington continuem apresentando opções que vão desde ataques pontuais até iniciativas para mudança de regime.
Em resposta, Maduro ordenou vigília permanente de militantes em seis regiões do Leste venezuelano, chamando a mobilização de “perfeita fusão popular-militar-policial”. O ditador também ensaiou, em inglês, trechos de Imagine, de John Lennon, pregando “paz”, enquanto reforça ações de preparação para conflito.
O personagem “Super Bigode”, super-herói inspirado em Maduro e usado em propaganda oficial, voltou a aparecer nos atos públicos, reforçando a narrativa de resistência heroica do regime.
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