Lula e Trump Foto: Daniel Torok/Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez uma cobrança direta ao governo brasileiro em relação ao combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).
A crítica aparece em um documento da Casa Branca que avalia o cenário internacional de combate ao tráfico de drogas e cita individualmente diferentes países.
No trecho destinado ao Brasil, o governo norte-americano afirma que o país não teria adotado medidas suficientes contra as duas facções.
O documento classifica PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras e sustenta que os grupos teriam contribuído para transformar o Brasil em um importante centro do fluxo internacional de cocaína.
Segundo o texto assinado por Trump, o governo brasileiro “falhou” no enfrentamento às duas organizações. A Casa Branca afirma ainda que outros governos do Hemisfério Ocidental estariam adotando medidas consideradas mais contundentes para reduzir o fluxo de drogas e combater organizações criminosas.
“Enquanto muitos governos no Hemisfério Ocidental estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar” as duas organizações, afirma o documento.
A administração Trump também sustenta que PCC e CV representam uma ameaça crescente à segurança internacional. A partir dessa avaliação, o presidente norte-americano cobra que o governo brasileiro adote “medidas agressivas” para enfrentar os grupos e impedir uma expansão de suas atividades.
A avaliação feita sobre o Brasil contrasta, no mesmo documento, com as referências positivas a outros países que aparecem na análise da Casa Branca sobre o combate ao narcotráfico.
Um dos exemplos citados é a Índia. Trump elogia o primeiro-ministro Narendra Modi pelos esforços relacionados ao combate ao cultivo ilegal de papoula e pelo fortalecimento da integridade das cadeias de suprimentos. O presidente dos Estados Unidos também manifesta interesse na continuidade da cooperação entre Washington e Nova Délhi na área de combate às drogas.
Na América Latina, o Peru também recebe uma avaliação positiva. O documento cita o compromisso atribuído à presidente Keiko Fujimori de trabalhar com os Estados Unidos e outros países aliados no enfrentamento a organizações criminosas e na redução do fluxo de cocaína destinado ao mercado norte-americano.
Argentina, Equador e El Salvador também são mencionados de maneira favorável. Segundo Trump, os três países estão entre os principais aliados dos Estados Unidos no continente no combate ao chamado narcoterrorismo. O presidente norte-americano atribui aos governos desses países “liderança, determinação e sucesso” nessa área.
A estratégia de combate às drogas apresentada pela administração Trump tem dado destaque à atuação contra organizações criminosas transnacionais.
Em sua Estratégia Nacional de Controle de Drogas de 2026, a Casa Branca afirma que o governo pretende ampliar ações de interrupção do tráfico por diferentes meios e fortalecer operações conjuntas contra redes de distribuição de entorpecentes.
O documento também se alinha à política mais ampla de segurança adotada pelo governo norte-americano, que passou a utilizar instrumentos de combate ao terrorismo contra determinadas organizações criminosas. A Casa Branca afirma que a administração Trump designou grupos criminosos estrangeiros como organizações terroristas e ampliou ferramentas de sanções, apreensão de ativos e investigação contra essas estruturas.
Além do Brasil, a Nicarágua aparece entre os países criticados no documento. Trump acusa o governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo de não adotar medidas suficientes para combater o tráfico de drogas.
O texto também menciona uma suposta participação de integrantes do regime nicaraguense no comércio de entorpecentes. A afirmação é apresentada pelo governo norte-americano dentro de sua avaliação sobre os países e governos relacionados ao fluxo internacional de drogas.
O contraste entre as avaliações faz parte da abordagem adotada pela Casa Branca no documento: enquanto alguns governos são apresentados como parceiros dos Estados Unidos no enfrentamento ao narcotráfico, outros são cobrados por medidas consideradas insuficientes.
No caso brasileiro, a principal cobrança está concentrada no PCC e no Comando Vermelho. Trump afirma que as duas organizações representam uma ameaça que ultrapassa as fronteiras do país e defende uma resposta mais contundente do governo de Brasília.
A posição apresentada no documento ocorre em meio à política de endurecimento adotada pela administração Trump contra organizações envolvidas no tráfico internacional de drogas. Em documentos oficiais publicados ao longo de 2026, a Casa Branca tem apresentado o combate às redes transnacionais de narcotráfico como uma das prioridades de segurança do governo norte-americano.
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