Governadora de Massachusetts, Maura Healey, durante a assinatura da lei do aborto; no destaque, o evangelista Franklin Graham Foto: @MassGovernor/X/Divulgação/Site Guiame
Líderes cristãos e organizações pró-vida reagiram à nova legislação de Massachusetts que altera as regras para a realização de abortos após 24 semanas de gestação. A medida foi sancionada pela governadora Maura Healey e retira da legislação estadual as circunstâncias específicas que anteriormente eram exigidas para procedimentos nessa fase da gravidez.
A mudança provocou fortes críticas entre representantes religiosos e grupos contrários ao aborto. Franklin Graham classificou a medida como “assassinato” e “maligna”, enquanto Jentezen Franklin afirmou que a decisão deveria “partir nossos corações”. Já o teólogo Albert Mohler chamou a alteração de “um dia sombrio para a santidade da vida”.
Antes da mudança, a legislação de Massachusetts estabelecia que, em gestações de 24 semanas ou mais, o aborto somente poderia ser realizado por um médico e em circunstâncias específicas, como a necessidade de preservar a vida ou a saúde física ou mental da paciente ou diante de determinados diagnósticos fetais.
O novo texto substitui essas condições por uma regra segundo a qual o aborto após 24 semanas pode ser realizado quando estiver baseado no julgamento profissional do médico. O projeto foi apresentado como uma forma de permitir que pacientes e profissionais de saúde tomem decisões médicas sem ficar limitados pelas categorias previstas anteriormente na legislação.
A alteração é interpretada por defensores do aborto como uma ampliação da autonomia médica e da proteção à saúde das pacientes. Já grupos pró-vida afirmam que a retirada das restrições pode permitir procedimentos em estágios muito avançados da gravidez.
O evangelista Franklin Graham foi um dos líderes cristãos que se manifestaram contra a mudança.
Em sua reação, Graham criticou as imagens da cerimônia de assinatura da legislação e afirmou que ficou impactado ao ver pessoas comemorando a aprovação da medida.
O evangelista classificou a legislação como “assassinato” e “maligna” e também criticou a defesa do aborto como uma questão de saúde das mulheres.
Graham ainda utilizou um trecho do livro bíblico de Isaías para reforçar sua posição e afirmou que a governadora e aqueles que comemoraram a aprovação da medida terão de responder diante de Deus.
O pastor Jentezen Franklin, líder da Free Chapel, também lamentou a mudança.
Em uma publicação nas redes sociais, o pastor afirmou que a vida possui valor desde o início da gestação e criticou a retirada dos limites para procedimentos realizados em fases avançadas da gravidez.
Para Franklin, a decisão deveria provocar uma reação dos cristãos e levá-los a atuar em defesa da vida.
O teólogo Albert Mohler, presidente do Southern Baptist Theological Seminary, também criticou a alteração.
Durante o programa The Briefing, Mohler classificou a mudança como um “dia sombrio para a santidade da vida” e afirmou que a retirada das restrições representa uma mudança significativa na legislação estadual.
O teólogo também tratou a medida como parte de uma disputa mais ampla nos Estados Unidos sobre os limites legais para o aborto.
Além dos pastores, organizações pró-vida também se posicionaram contra a legislação.
Evan Lenow, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa, classificou a mudança como grave e afirmou que a legislação reduz as proteções destinadas a crianças ainda não nascidas.
A presidente da SBA Pro-Life America, Marjorie Dannenfelser, também criticou a possibilidade de abortos em fases avançadas da gestação. Segundo ela, procedimentos realizados nesse período podem envolver a destruição do feto.
Carol Tobias, presidente da National Right to Life, afirmou que a mudança elimina proteções para bebês em estágios nos quais alguns prematuros já recebem atendimento em unidades de terapia intensiva neonatal.
Os grupos pró-vida defendem que o Estado estabeleça limites mais rígidos para o aborto e argumentam que a retirada das restrições pode permitir procedimentos quando a gestação já está em estágio avançado.
Do outro lado do debate, parlamentares que apoiaram a mudança afirmam que decisões relacionadas ao aborto em gestações complexas devem ser tomadas entre a paciente e o profissional de saúde.
A Assembleia Legislativa de Massachusetts argumentou que as regras anteriores poderiam impedir que médicos oferecessem determinados tratamentos dentro do próprio estado, obrigando algumas pacientes a buscar atendimento fora de Massachusetts.
A nova legislação, portanto, amplia a margem de decisão dos médicos em casos de aborto após 24 semanas, retirando a exigência de enquadramento em categorias específicas previstas anteriormente.
A mudança passa a integrar um cenário nacional marcado por profundas diferenças entre os estados americanos. Desde a derrubada de Roe v. Wade pela Suprema Corte dos Estados Unidos, estados governados por diferentes grupos políticos vêm adotando legislações distintas sobre o acesso ao aborto.
Em Massachusetts, a nova regra representa mais uma ampliação das garantias relacionadas ao acesso ao procedimento e, ao mesmo tempo, reacende o confronto entre grupos que defendem o direito ao aborto e organizações que consideram a interrupção da gravidez uma questão de proteção da vida desde a gestação.
Fonte; Site Guiame
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