O encontro ocorre em um momento de maior aproximação diplomática entre os dois países em temas relacionados à segurança e ao combate ao crime organizado
Presidente Lula e Autoridades da Segurança Foto: Ricardo Stuckert/PR
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, participou nesta quarta-feira, 8 de julho, da 17ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA), realizada em Lima, no Peru. Um dos principais compromissos da agenda é uma reunião bilateral com o subsecretário de Defesa dos Estados Unidos, Elbridge Colby, integrante da equipe do presidente Donald Trump responsável pela área de segurança.
O encontro ocorre em um momento de maior aproximação diplomática entre os dois países em temas relacionados à segurança e ao combate ao crime organizado, mas também em meio às repercussões da decisão do governo norte-americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras.
Apesar da expectativa em torno do tema, o Ministério da Defesa não confirmou se o assunto fará parte das conversas entre as autoridades brasileiras e norte-americanas.
Em resposta a questionamentos sobre a pauta da reunião, a assessoria de José Múcio informou que os encontros bilaterais previstos durante a conferência devem priorizar assuntos tradicionalmente tratados entre os ministérios da Defesa dos dois países. Entre eles estão a realização de exercícios militares conjuntos, o intercâmbio entre as Forças Armadas e o compartilhamento de experiências na área de defesa.
Segundo a pasta, eventuais discussões sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho pelo governo dos Estados Unidos não integram a competência do Ministério da Defesa. De acordo com o órgão, esse debate está sob responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Justiça, responsáveis pela condução da política externa e da cooperação jurídica internacional.
A ausência de confirmação sobre o tema chama atenção porque a medida anunciada por Washington abriu uma nova frente de diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano. Além de ampliar as sanções financeiras contra integrantes das facções criminosas, a decisão também fortalece instrumentos legais para investigação e repressão de atividades ligadas aos grupos em território dos Estados Unidos.
Especialistas avaliam que a classificação pode produzir reflexos na cooperação internacional em segurança, no compartilhamento de informações entre autoridades, no combate à lavagem de dinheiro, em investigações transnacionais e até mesmo nas relações diplomáticas entre os dois países, ampliando o alcance das ações voltadas ao enfrentamento do crime organizado.
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