The New York Times sobre megaoperação no Rio. Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil e Reprodução.
O jornal americano The New York Times destacou nesta quarta-feira, 30 de outubro, a megaoperação policial no Rio de Janeiro, classificando o episódio como “o mais letal e sangrenta da história do estado” no enfrentamento ao crime organizado. A ação, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes de segurança, resultou em mais de 130 mortes, incluindo quatro policiais.
De acordo com a reportagem, o confronto começou ainda na madrugada de terça-feira, 29 de outubro, em uma área dominada pelo Comando Vermelho (CV), e foi o resultado de um ano de investigações e dois meses de planejamento por parte do governo estadual. Além das mortes, 81 pessoas foram presas durante a operação.
O jornal também repercutiu a declaração do governador Cláudio Castro, que classificou os criminosos como “narcoterroristas”, expressão associada à política antidrogas do ex-presidente americano Donald Trump.
O The New York Times ressaltou que a operação superou, em número de vítimas, a incursão de 2021 no Jacarezinho, até então considerada a mais violenta da história do Rio, com 28 mortos. Segundo o governo, pelo menos mais de 130 civis morreram, mas ainda não há confirmação sobre quantos pertenciam ao grupo criminoso.
Moradores relataram pânico, tiroteios e barricadas em chamas erguidas por traficantes para impedir o avanço das forças de segurança. As imagens exibidas por emissoras brasileiras mostraram colunas de fumaça e veículos incendiados em diferentes pontos da cidade.
A violência se estendeu para outras regiões da Zona Norte e da Baixada Fluminense, provocando o fechamento de vias, universidades e do acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão.
O jornal americano também destacou a tensão política entre o governador Cláudio Castro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Castro, aliado da direita e próximo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou que o Rio de Janeiro “está sozinho na guerra contra o crime” e defendeu apoio do governo federal, inclusive participação das Forças Armadas.
"O Rio de Janeiro está completamente sozinho nessa luta. Para uma guerra como essa, deveríamos ter muito mais apoio, talvez até das Forças Armadas", disse o governador.
Em resposta, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, negou omissão e lembrou que o governo federal tem mantido cooperação com o estado em ações conjuntas de combate ao crime organizado.
O The New York Times observou ainda que o discurso de Castro reflete uma aproximação retórica com o governo Trump, especialmente pelo uso do termo “narcoterrorismo”. O texto também mencionou o senador Flávio Bolsonaro, que recentemente elogiou operações militares norte-americanas e sugeriu cooperação dos EUA no combate a facções brasileiras.
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