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Governo Trump não vai considerar opinião do Brasil sobre PCC, diz promotor

Segundo Lincoln Gakiya, decisão sobre classificar facção como organização terrorista é assunto interno dos Estados Unidos.

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12 de março de 2026 às 09:46   - Atualizado às 09:52

Lula e Trump

Lula e Trump Foto: Reprodução/Redes Sociais

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por atuar no combate ao Primeiro Comando da Capital, afirmou que o governo dos Estados Unidos não pretende considerar a posição do Brasil sobre uma possível classificação da facção como organização terrorista.

A declaração foi feita durante entrevista ao programa Estúdio i (Globo), exibido nesta quarta-feira (11).

Segundo o promotor, representantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos estiveram recentemente no Brasil para entender melhor o funcionamento e a atuação internacional da organização criminosa.

Reunião com emissários americanos

Gakiya relatou que apresentou aos emissários norte-americanos aspectos da legislação brasileira relacionados ao combate ao crime organizado. Ele explicou que, pelas normas adotadas no país, o PCC não poderia ser classificado juridicamente como organização terrorista.

Apesar disso, os representantes do governo dos Estados Unidos teriam afirmado que a decisão sobre essa classificação é considerada um ato interno do governo americano.

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Segundo o promotor, os emissários disseram que a posição do governo brasileiro não seria determinante para a eventual decisão.

Avaliação focada na segurança dos EUA

De acordo com Gakiya, os representantes americanos deixaram claro que a avaliação levará em conta principalmente interesses de segurança nacional dos Estados Unidos.

Ele afirmou ainda que o objetivo da visita ao Brasil foi coletar informações sobre a estrutura, o tamanho e a atuação internacional do PCC.

Caso a classificação ocorra, ela teria validade apenas no território americano e não implicaria automaticamente na mudança do enquadramento da organização no Brasil.

PCC e CV na lista de terroristas

A possibilidade de que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos tem gerado debates políticos, jurídicos e diplomáticos. A medida, discutida dentro do governo americano, pode trazer consequências diretas e indiretas para o Brasil, especialmente no combate ao crime organizado e nas relações internacionais.

Caso a classificação seja confirmada, os grupos passariam a integrar a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), um mecanismo usado pelo governo dos Estados Unidos para aplicar sanções e ampliar o combate a organizações consideradas ameaças à segurança internacional.

Sanções financeiras e maior controle internacional

Um dos principais impactos seria no campo financeiro. A designação como organização terrorista permite que autoridades norte-americanas bloqueiem ativos e transações ligadas às facções dentro do sistema financeiro dos Estados Unidos.

Além disso, cidadãos e empresas americanas ficam proibidos de fornecer qualquer tipo de apoio material aos grupos, o que inclui dinheiro, equipamentos, armas ou serviços. Instituições financeiras internacionais também tendem a reforçar mecanismos de controle para evitar vínculos com organizações classificadas como terroristas.

Especialistas apontam que isso pode dificultar operações de lavagem de dinheiro e reduzir a capacidade de financiamento das facções no exterior.

Cooperação internacional contra o crime organizado

Outro efeito possível é o aumento da cooperação entre países no combate ao crime organizado transnacional. A inclusão de um grupo na lista de organizações terroristas costuma ampliar o compartilhamento de informações de inteligência entre governos e agências de segurança.

Na prática, isso pode facilitar investigações internacionais, operações conjuntas e bloqueios de recursos ligados a redes criminosas que atuam além das fronteiras brasileiras.

Autoridades americanas têm argumentado que facções como o PCC ampliaram sua presença internacional nos últimos anos, especialmente em rotas de tráfico de drogas que conectam América do Sul, Europa e África.

Debate sobre legislação no Brasil

A discussão também tem reflexos no cenário político brasileiro. Parlamentares da oposição defendem a criação ou ampliação de instrumentos legais para endurecer o combate ao crime organizado, incluindo projetos inspirados em legislações antiterrorismo.

Por outro lado, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustenta que organizações criminosas como o PCC e o Comando Vermelho não se enquadram na definição clássica de terrorismo, já que não possuem motivação política ou ideológica critérios normalmente associados a esse tipo de classificação.

Possíveis impactos diplomáticos

Além das consequências jurídicas e financeiras, a medida também pode gerar repercussões diplomáticas. Integrantes do governo brasileiro demonstram preocupação com a possibilidade de que a classificação seja usada como argumento para ampliar a atuação internacional dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico na região.

Nos bastidores, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, já discutiu o tema com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Enquanto o debate avança, especialistas avaliam que a eventual classificação das facções brasileiras como organizações terroristas pode intensificar o combate global ao crime organizado, mas também tende a abrir novas discussões sobre soberania, legislação e cooperação internacional em segurança pública.

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