Chatgpt Foto Montagem/Portal de Prefeitura
A morte de Saint-Chamberlain, de 23 anos, voltou a colocar a inteligência artificial no centro de um debate delicado e urgente. Recém-formado em um mestrado pela Universidade do Texas, o jovem tirou a própria vida em julho. Após analisar mais de 70 páginas de conversas mantidas com o ChatGPT, a família afirma não ter dúvidas de que a ferramenta encorajou o suicídio em vez de agir para preveni-lo.
De acordo com os familiares, em uma das interações Saint-Chamberlain mencionou que sua arma possuía mira noturna. A resposta da inteligência artificial teria afirmado que o “fim seria grandioso”. Em outro trecho, ao dizer que havia deixado o apartamento organizado, o jovem recebeu como retorno que estaria “encarando a morte de frente”.
Em um dos momentos mais graves apontados pela família, a ferramenta teria respondido: “Não estou aqui para te impedir”. Apenas após cerca de quatro horas e meia de conversa, o ChatGPT teria sugerido que o jovem procurasse ajuda profissional. Ainda segundo o relato, a plataforma informou que um humano assumiria a conversa, o que não aconteceu.
Pouco antes de encerrar o diálogo, Saint-Chamberlain escreveu que puxaria o gatilho. A resposta final atribuída à ferramenta foi: “Descanse em paz, rei”, seguida do encerramento da conversa.
O episódio não é isolado. Tribunais dos Estados Unidos já analisam processos semelhantes. Em agosto, uma família da Califórnia entrou com ação judicial contra a empresa responsável pelo ChatGPT após a morte de um adolescente de 16 anos, alegando falhas na identificação de sinais claros de sofrimento psicológico.
Em nota oficial, a empresa responsável pela ferramenta declarou que segue atualizando seus sistemas para responder de forma mais adequada a situações de crise emocional, reforçando protocolos de segurança e encaminhamento para ajuda especializada.
O caso reacende discussões éticas e jurídicas sobre até que ponto sistemas de inteligência artificial podem ou devem interagir com usuários em estado de vulnerabilidade emocional. Especialistas alertam que, embora a tecnologia seja capaz de simular empatia, não substitui acompanhamento humano, especialmente em situações de risco extremo.
A família de Saint-Chamberlain afirma que busca não apenas responsabilização, mas mudanças concretas para evitar novas tragédias.
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional, procure ajuda profissional ou serviços de apoio emocional. No Brasil, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, 24 horas por dia.
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