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ARGENTINA vai reforçar barreiras na fronteira com o BRASIL após erguer cerca com Bolívia

A iniciativa segue a proposta do muro entre os EUA e o México, que voltou a ser discutida em Washington nos primeiros dias do novo governo de Donald Trump.

Gabriel Alves

29 de janeiro de 2025 às 13:30   - Atualizado às 14:03

Milei e Lula.

Milei e Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A ministra da Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, anunciou na terça-feira, 28 de janeiro, que intensificará o controle das fronteiras com o Brasil. A declaração ocorre em meio à polêmica gerada pelo governo de Javier Milei ao divulgar a construção de um muro na divisa com a Bolívia, inspirado na barreira defendida pelos Estados Unidos na fronteira com o México.

"Além da Bolívia, planejamos expandir (essa política) para outros pontos de fronteira. Agora, vamos para a fronteira em Misiones com o Brasil, que é uma fronteira onde se entra no país a pé em muitos lugares, e onde tivemos assassinos e problemas", afirmou Bullrich à rádio argentina Mitre.

No dia 24 de janeiro, uma cidade da província de Salta, no norte da Argentina, anunciou uma licitação para erguer um alambrado de 200 metros na divisa com a Bolívia, com apoio do governo Milei.

O objetivo da barreira é conter a imigração ilegal e o contrabando. A iniciativa segue a proposta do muro entre os EUA e o México, que voltou a ser discutida em Washington nos primeiros dias do novo governo de Donald Trump, considerado referência pelo presidente argentino.

"Foi solicitada a construção de uma cerca linear [...] para evitar que as pessoas cheguem à cidade sem passar pela migração", explicou Adrián Zigarán, interventor da cidade de Aguas Blancas.

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Segundo Zigarán, a estrutura terá 2,50 metros de altura e será instalada entre a aduana argentina e um terminal de ônibus, antes do acesso ao rio Bermejo, que delimita a fronteira com a Bolívia.

O Ministério da Segurança argentino classifica o rio Bermejo como parte da chamada "Rota da droga", mas a passagem também é utilizada por argentinos que atravessam para Bermejo, cidade boliviana vizinha, em busca de produtos mais baratos.

"Passam ares-condicionados, geladeiras de duas portas, eletrodomésticos de última geração, como 10 viagens por dia. A verdade é que estão rompendo o tecido comercial de Orán e do norte argentino com esse descontrole de importação de mercadoria ilegal", declarou Zigarán.

A decisão gerou reações da Bolívia. O Ministério das Relações Exteriores boliviano manifestou "preocupação" e defendeu que questões fronteiriças sejam resolvidas por meio do diálogo bilateral, pois "qualquer medida unilateral pode afetar a boa vizinhança e a convivência pacífica entre povos irmãos".

A construção da cerca faz parte do "Plano Güemes", lançado pelo governo Milei em dezembro do ano passado com o objetivo de "combater os crimes federais".

As medidas adotadas pela Argentina para conter o tráfico de drogas concentram-se na província de Salta, no norte do país, em cidades localizadas a cerca de 1.600 km de Buenos Aires.

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