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Master: PGR rejeita segunda proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro

A manifestação o órgão apresentada aponta que as informações fornecidas pelo banqueiro não trazem provas novas e teriam pouca utilidade para as investigações.

Ricardo Lélis

15 de junho de 2026 às 21:30   - Atualizado às 21:30

Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez pela PF.

Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez pela PF. Foto: Reprodução

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, quatro dias após a Polícia Federal também ter rechaçado um acordo com o dono do Banco Master.

Com isso, os investigadores fecham o cerco contra Vorcaro e sinalizam que, pelo menos por ora, não há mais espaço para uma negociação.

A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi apresentada ontem e aponta que as informações fornecidas por Vorcaro não trazem provas novas e teriam pouca utilidade para as investigações.

Na semana passada, a PF teve entendimento semelhante e comunicou à defesa de Vorcaro que não tinha interesse na proposta de colaboração premiada do banqueiro.

Desde o início das negociações, os investigadores achavam que Vorcaro tinha apresentado uma proposta de delação seletiva e omitiu informações já detectadas pelas investigações.

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Como mostrou o Estadão, Vorcaro chegou a justificar aos seus advogados que fez pagamentos a políticos por relação de amizade com eles.

A primeira proposta de delação foi recusada pela PF e pela PGR, mas a equipe de Gonet deixou a negociação aberta e pediu à defesa de Vorcaro que complementasse lacunas do acordo.

Depois disso, o banqueiro trocou a equipe de defesa e reformulou sua tentativa de delação, entregando novos anexos, mas, ainda assim, o material não foi suficiente para convencer os investigadores.

Propina

Uma das mudanças, conforme revelou o Estadão, foi confessar que fez pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) como propina.

Na primeira tentativa de delação, o dono do Master dizia que bancou benesses ao presidente do PP - como viagens, festas e mesada de R$ 300 mil - por amizade, sem buscar nada em troca. Procurado, o parlamentar não se manifestou.

Na semana passada, a defesa de Vorcaro pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que o banqueiro seja mandado para a prisão domiciliar.

Mas, com a rejeição desta segunda proposta de delação, a tendência é de que Mendonça mande o dono do Master de volta para um presídio comum, após três meses de permanência em uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília.

Caberá ao relator decidir o destino de Vorcaro. A PF solicitou sua retirada da superintendência de Brasília, mas não especificou local para o cumprimento da prisão preventiva. A PGR também não apontou lugar específico.

Portas fechadas

Pela lei, não há impedimento para que Vorcaro tente apresentar uma terceira proposta de delação mais à frente, mas a negativa pelos dois órgãos fecha as portas para um acordo nesse momento. O cenário atual é que não deve haver espaço, por ora, para novas conversas.

Vorcaro está preso desde o início de março, após a PF ter apresentado indícios de que ele usava milícia armada para ameaçar adversários e acionava um grupo de hackers para invadir sistemas de informática de órgãos de investigação.

Estadão Conteúdo

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