Ministério Público pede que a plataforma entregue o contrato firmado com o camisa da Seleção Brasileira para apurar estratégias de publicidade sobre apostas.
Neymar tem nome citado em investigação. Foto: Raul Baretta / Santos FC
O nome de Neymar voltou ao centro das discussões envolvendo a publicidade de plataformas de apostas esportivas. O atacante da Seleção Brasileira foi citado em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que investiga a atuação da Blaze e da influenciadora Virginia Fonseca na divulgação de serviços de apostas on-line.
Embora o camisa da Seleção apareça na investigação, ele não figura como réu no processo. O objetivo do Ministério Público é obter acesso ao contrato firmado entre Neymar e a Blaze para analisar os valores envolvidos, as cláusulas do acordo e as diretrizes de marketing que orientavam a participação do atleta nas campanhas publicitárias.

Segundo a ação, obtida pela coluna Grande Angular, o MPDFT entende que a imagem de Neymar era utilizada de forma estratégica para atrair consumidores à plataforma, especialmente por meio de campanhas que sugeriam a possibilidade de obter "renda extra" com apostas esportivas.
Na avaliação do órgão, a presença de figuras públicas com grande alcance nas redes sociais poderia aumentar a credibilidade da empresa e influenciar a decisão de consumidores, ampliando eventuais prejuízos financeiros.
Além de Neymar, o Ministério Público também solicitou que a Blaze apresente os contratos firmados com os influenciadores Virginia Fonseca, Lucas Lira e Bruna Unzueta.
Na ação civil pública, o MPDFT pede que a Blaze e Virginia Fonseca sejam condenadas ao pagamento de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos.
Entre os pedidos, o órgão também requer que a Justiça determine, em caráter de urgência, a remoção de conteúdos publicitários publicados por Virginia que, segundo o Ministério Público, prometam lucros irreais, induzam consumidores ao erro ou incentivem apostas em eventos esportivos específicos.
A Promotoria sustenta que a medida busca impedir a continuidade de práticas consideradas abusivas e proteger consumidores diante da grande exposição das campanhas nas redes sociais.
Além da publicidade realizada pelos influenciadores, a investigação analisa denúncias relacionadas ao funcionamento da plataforma de apostas.
O MPDFT apura relatos de bloqueios arbitrários de contas, retenção indevida de valores pertencentes a usuários, cláusulas consideradas abusivas nos contratos e exigências excessivas para a liberação de bônus promocionais.
Outro ponto da investigação é verificar se a Blaze seguia normas de proteção ao consumidor e a legislação brasileira que regulamenta as apostas de quota fixa.
A empresa terá prazo de 15 dias para apresentar esclarecimentos sobre seus procedimentos de abertura, manutenção, bloqueio e encerramento de contas, além de informar políticas de bônus, retenção de valores e mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro.
A ação tramita na 7ª Vara Cível de Brasília e, até o momento, não há decisão judicial sobre os pedidos apresentados pelo Ministério Público.
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