Patrocínio anunciado pelo Corinthians envolvendo uma plataforma de conteúdo adulto Foto: Divulgação
A ativista feminista Lari Agostini criticou o novo patrocínio anunciado pelo Corinthians envolvendo uma plataforma de conteúdo adulto. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que a presença da marca em um dos maiores clubes de futebol do país pode contribuir para a normalização da pornografia entre crianças e adolescentes.
Internacionalista e mestre em Políticas Públicas, Lari Agostini atua há mais de dez anos em temas relacionados à saúde da mulher, direitos reprodutivos, igualdade de gênero, pobreza menstrual e saúde pública. No vídeo, ela questiona a presença de empresas do segmento adulto no futebol e alerta para os possíveis efeitos da publicidade sobre o público infantojuvenil.
Durante a publicação, Lari afirma que o esporte exerce papel importante na formação cultural de crianças e adolescentes e que a exposição de marcas em uniformes vai além da simples publicidade.
"O esporte é um dos maiores espaços de formação cultural, principalmente para criança e adolescente. Isso aqui não é só um logo. Se fosse só um logo, as marcas não gastariam milhões para estar ali", declarou.
Segundo ela, o investimento feito pelas empresas em patrocínios esportivos busca criar identificação, reconhecimento e legitimidade junto ao público.
Ao comentar o novo contrato do Corinthians, a ativista também criticou a estratégia anunciada para o uniforme da equipe feminina, que deverá exibir mensagens de empoderamento feminino em vez da marca utilizada pela equipe masculina.
Outro ponto destacado por Lari Agostini é a facilidade de acesso de jovens a conteúdos com conotação sexual.
Na avaliação da especialista, a pornografia deixou de ser um conteúdo buscado de forma ativa por parte dos adolescentes e passou a estar presente em diferentes ambientes digitais.
Ela afirma que essa exposição ocorre por meio do chamado "soft porn", termo utilizado para descrever conteúdos com apelo erótico que circulam em espaços não destinados exclusivamente à pornografia, como redes sociais, plataformas de entretenimento, jogos eletrônicos e, segundo ela, agora também no esporte.
"A pornografia tem deixado de ser um conteúdo procurado e passou a ser um conteúdo que chega naturalmente, que é quase empurrado aos jovens", afirmou.
Na publicação, Lari também argumenta que plataformas de conteúdo adulto utilizam estratégias de comunicação diferentes da pornografia tradicional, buscando criar vínculos de proximidade entre criadores de conteúdo e usuários.
Segundo a ativista, esse modelo pode influenciar a forma como adolescentes compreendem afetividade, sexualidade e relacionamentos.
Ao final do vídeo, ela defende que existam limites para a presença de patrocinadores ligados ao mercado de conteúdo adulto no esporte profissional e pede que o debate seja ampliado.
As declarações de Lari Agostini repercutiram entre torcedores e usuários das redes sociais. Parte dos internautas manifestou apoio às críticas da ativista e demonstrou preocupação com a exposição de crianças e adolescentes a marcas relacionadas ao conteúdo adulto.
Outros usuários defenderam o acordo comercial firmado pelo Corinthians, argumentando que clubes de futebol possuem autonomia para negociar contratos de patrocínio e que a responsabilidade pela educação e pelo acesso de menores à internet deve envolver diferentes atores, como famílias e plataformas digitais.
Até o momento, o Corinthians não se pronunciou especificamente sobre as declarações feitas por Lari Agostini. O clube anunciou o patrocínio como parte de sua estratégia de ampliação de receitas, enquanto o debate sobre os limites da publicidade de plataformas adultas no esporte segue mobilizando opiniões nas redes sociais.
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