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Seleção Brasileira: apenas 15,9% dos brasileiros são fanáticos pelo time, aponta pesquisa

A pesquisa pediu que os torcedores avaliassem, em uma escala de 0 a 10, o grau de fanatismo pela Seleção Brasileira.

Eduarda Queiroz

04 de setembro de 2025 às 15:15   - Atualizado às 15:15

Cafu levantando a taça do pentacampeonato da Seleção Brasileira.

Cafu levantando a taça do pentacampeonato da Seleção Brasileira. Foto: Reprodução/@cafu2

São dias difíceis para os fãs de futebol e a paixão pela Seleção Brasileira parece estar em queda livre. Uma pesquisa realizada pelo O Globo/Ipsos-Ipec, divulgada nesta terça-feira, 2 de setembro, revelou que apenas 15,9% dos brasileiros se declaram fanáticos pela Canarinho. O levantamento foi feito entre 5 e 9 de junho de 2025, com 2 mil entrevistados em 132 municípios.

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A pesquisa pediu que os torcedores avaliassem, em uma escala de 0 a 10, o grau de fanatismo pela Seleção. O resultado mostrou um afastamento expressivo: 48,5% escolheram notas de 0 a 4 e a nota zero foi a mais marcada, com 32,4%, isto é, nenhum interesse pelo time.

No outro extremo, apenas 15,9% dos brasileiros atribuíram notas 9 e 10, demonstrando alto grau de paixão. Para comparação, quando o assunto são os clubes do coração, 33,3% dos entrevistados deram as notas mais altas.

Perfil do torcedor mais apaixonado

O levantamento também traçou o perfil de quem ainda mantém forte ligação com a Seleção, que são, em sua maioria, homens jovens, moradores de cidades pequenas, com menor escolaridade e renda de até 1 salário mínimo.

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A diferença entre gêneros também chama atenção: 17,7% dos homens se declararam fanáticos, enquanto entre as mulheres o índice foi de 14,1%.

Seleção perde espaço para os clubes

Especialistas apontam que a queda de interesse tem ligação com a transformação da relação do torcedor com o futebol.

"O levantamento mostra um fenômeno claro de deslocamento emocional do torcedor brasileiro. A seleção, que por décadas foi sinônimo de identidade nacional, hoje compete em desvantagem com os clubes, que oferecem experiências mais próximas, constantes e personalizadas. No futebol moderno, conexão não se sustenta apenas em títulos: é preciso presença no dia a dia do torcedor, narrativas consistentes e estratégias de engajamento que criem vínculos", afirma Bruno Brum, CMO da Agência End to End.

A falta de resultados recentes, a ausência de ídolos que representem o país e os escândalos de corrupção envolvendo ex-presidentes da CBF, como Ednaldo Rodrigues, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira, também pesam na avaliação do público.

"Um conjunto de fatores tem diminuído o interesse do brasileiro pela Seleção, relacionados ou não ao futebol diretamente, e um deles é o crescente desgosto com a vida no Brasil, com nossa política, instituições e convívio. Símbolos do país vem sendo desde o início desse século desprezados, diminuídos, e a camisa da Seleção Brasileira é o único símbolo universal que temos, mais reconhecido no mundo do que qualquer outro, mais que nosso hino ou bandeira. A seleção acaba recebendo, indiretamente, muito do que as pessoas sentem pelo país", analisa Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil.

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