Rildo, ex lateral do IBIS, Santos, Botafogo e seleção brasileira Foto: Divulgação/Santos F.C.
No universo do futebol, poucas trajetórias são tão singulares e ricas em simbolismo humano quanto a do lateral-esquerdo Rildo. Natural de Recife, o jogador construiu uma carreira que desafia as probabilidades e conecta os dois extremos mais famosos do esporte nacional: a mística da Amarelinha e a fama folclórica do Íbis Sport Club, conhecido mundialmente pelo rótulo de "pior time do mundo".
A história de Rildo é o retrato de um futebol romântico, moldado pela resiliência de um atleta que soube transitar entre a obscuridade dos gramados alternativos de Pernambuco e o estrelato internacional ao lado dos maiores gênios da história do esporte.
A frase que o próprio Rildo costumava repetir com orgulho em suas entrevistas sintetiza com perfeição o tamanho de sua jornada: “É incrível, joguei no pior time do mundo e nos melhores times do mundo”. Seu início de carreira deu-se justamente no Íbis, clube que ganhou fama global por seus longos jejuns de vitórias.
Contrariando o destino comum que a fama do clube poderia impor, o talento de Rildo voou alto. Após uma rápida passagem pelo Sport Club do Recife, o defensor chamou a atenção dos grandes eixos do futebol brasileiro na década de 1960.
A partir dali, o lateral construiu um currículo invejável:
O reconhecimento técnico de sua passagem pelos clubes do Sudeste garantiu a Rildo um espaço no ponto mais alto da carreira de um atleta: a Seleção Brasileira. Convocado pelo técnico Vicente Feola, o lateral foi o representante pernambucano a defender o país na Copa do Mundo de 1966, disputada na Inglaterra.
Embora aquela campanha tenha sido dolorosa para o Brasil, terminando com uma eliminação precoce na primeira fase, Rildo deixou sua marca eterna. Ele foi o autor do único gol brasileiro na derrota por 3 a 1 contra o Portugal de Eusébio, um feito raríssimo para defensores daquela época.
Anos mais tarde, Rildo foi o titular absoluto da lateral-esquerda durante todas as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1970, jogando sob o comando de João Saldanha. No entanto, às vésperas do embarque para o México, o destino lhe impôs um revés: a comissão técnica liderada por Zagallo realizou um corte de última hora na lista dos 22 convocados finais, alegando um suposto problema médico cardíaco, o que impediu o atleta de fazer parte do grupo que conquistou o Tri.
Abaixo, veja a cronologia de clubes e o impacto de Rildo no cenário esportivo:
| Período | Instituição / Clube | Impacto e Conquistas Principais |
| Início | Íbis Sport Club (PE) | Formação inicial e berço da famosa anedota de carreira |
| Anos 60 | Botafogo (RJ) | Bicampeão Carioca jogando ao lado de Mané Garrincha |
| 1966 | Seleção Brasileira | Disputa da Copa do Mundo da Inglaterra e autor de gol contra Portugal |
| Fim 60 | Santos Futebol Clube (SP) | Campeão do Robertão (Brasileiro) e Paulistas com Pelé |
A trajetória de Rildo, falecido em 2021 em Los Angeles, permanece como uma das crônicas mais humanizadas do esporte brasileiro. Ele provou que a origem em um clube estigmatizado como o Íbis não determinava o limite do potencial de um atleta focado.
Sua história conecta a paixão local do torcedor recifense com a história global da Copa do Mundo, deixando uma lição permanente de que o futebol é feito de superação, técnica e, acima de tudo, da capacidade de sorrir diante dos contrastes que o destino apresenta.
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