Os promotores afirmam que a visibilidade pública da advogada e empresária teria sido utilizada para dar aparência de legalidade a recursos que estariam sendo ocultados em transações financeiras.
18 de junho de 2026 às 14:36 - Atualizado às 14:59
Deolane Bezerra. Foto: Divulgação
A Justiça de São Paulo decidiu receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual e transformou em réus a influenciadora e advogada pernambucana Deolane Bezerra, e o apontado líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, além de parentes dele e outros investigados.
A ação faz parte de uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), que apura possíveis crimes ligados à lavagem de dinheiro e à atuação de organização criminosa.
De acordo com as apurações, uma empresa do setor de transportes teria sido utilizada para movimentar recursos de origem ilícita e inseri-los no sistema financeiro formal. Os investigadores sustentam que a transportadora era usada para fragmentar operações bancárias e dificultar o rastreamento do dinheiro, supostamente proveniente de atividades criminosas.

O inquérito teve origem em 2019, após a apreensão de documentos durante uma ação em uma unidade prisional de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir desse material, a Polícia Civil e o Ministério Público passaram a analisar movimentações financeiras relacionadas ao grupo investigado.
Segundo a denúncia, Deolane Bezerra teria recebido transferências vinculadas à empresa investigada. Relatórios elaborados pelo Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) apontam que a influenciadora movimentou cerca de R$ 27 milhões em operações consideradas incompatíveis com a capacidade financeira declarada aos órgãos de controle.
Os promotores afirmam ainda que a visibilidade pública da advogada e empresária teria sido utilizada para conferir aparência de legalidade a recursos que estariam sendo ocultados por meio de diferentes transações financeiras.
Com o recebimento da denúncia, os acusados serão formalmente citados e terão prazo de dez dias para apresentar defesa preliminar à Justiça.
Por meio de nota, a defesa de Deolane Bezerra afirmou que o recebimento da denúncia representa apenas uma etapa inicial do processo e não significa condenação. Os advogados sustentam que o patrimônio e os rendimentos da influenciadora possuem origem lícita e negam qualquer ligação dela com organizações criminosas.
Já a defesa de Marcola e de seus familiares também divulgou posicionamento contestando as acusações. O advogado responsável pelo grupo declarou que a denúncia será enfrentada judicialmente e que os investigados irão apresentar seus argumentos ao longo da tramitação do caso.
"A defesa de Deolane, patrocinada pelos advogados Aury Lopes Jr., Josimary Rocha de Vilhena, Luiz Ricardo Rodrigues Imparato e Rogério Nunes, tomou ciência do recebimento da denúncia oferecida pelo Ministério Público, ato processual inicial que não representa qualquer conclusão acerca dos fatos imputados.
A defesa afirma que utilizará todos os meios de prova necessários ao esclarecimento do caso, afastando qualquer alegação de ilicitude ou conduta criminosa, uma vez que sua cliente é inocente, seus rendimentos possuem origem lícita e regularmente declarada e Deolane não possui qualquer vínculo com o crime organizado".
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