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Tintura de cabelo pode aumentar em até 60% o risco de câncer de mama, diz estudo

Pesquisa com mais de 46 mil mulheres sugere que o uso frequente de tintura permanente pode elevar o risco da doença.

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09 de novembro de 2025 às 11:54   - Atualizado às 12:04

O principal fator de preocupação está na absorção de substâncias químicas pelo couro cabeludo.

O principal fator de preocupação está na absorção de substâncias químicas pelo couro cabeludo. Foto: Divulgação

O uso frequente de tintura de cabelo pode estar associado a um risco maior de desenvolver câncer de mama, segundo um estudo conduzido pelo National Institute of Environmental Health Sciences (NIEHS), dos Estados Unidos. A pesquisa acompanhou mais de 46 mil mulheres ao longo de vários anos e observou que aquelas que aplicavam tintura permanente a cada 5 a 8 semanas apresentavam até 60% mais chances de desenvolver a doença em comparação com quem não utilizava o produto.

Como a tintura de cabelo pode afetar o organismo

De acordo com os cientistas, o principal fator de preocupação está na absorção de substâncias químicas pelo couro cabeludo. As tinturas permanentes contêm compostos que, com o uso contínuo, podem penetrar na pele e atingir tecidos sensíveis aos hormônios como o tecido mamário. Essa exposição repetida, ao longo dos anos, pode causar alterações celulares e contribuir para o surgimento de mutações associadas ao câncer de mama.

As mulheres que faziam alisamentos químicos com frequência também apresentaram risco elevado, o que reforça a preocupação com o uso combinado de diferentes produtos capilares com formulações agressivas.

Associação não é conclusão definitiva

Apesar dos resultados chamarem atenção, os pesquisadores ressaltam que a relação entre tintura de cabelo e câncer de mama ainda é associativa, não conclusiva. Isso significa que o estudo identificou uma correlação, mas não comprovou uma relação direta de causa e efeito.

Segundo os autores, o risco parece ser maior em mulheres que usam tintura com alta frequência e por longos períodos. Já produtos como tinturas temporárias, tonalizantes ou vegetais não mostraram o mesmo efeito nas análises.

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A médica oncologista Patrícia Oliveira, especialista em saúde feminina, explica que é importante avaliar o contexto de exposição. “Não é necessário pânico, mas sim informação. O uso ocasional não representa o mesmo risco do uso contínuo por décadas. O ideal é optar por produtos menos agressivos e manter acompanhamento médico regular”, orienta.

Cuidados e prevenção

O estudo reforça um alerta simples, mas essencial: moderação e prevenção. Para quem faz uso de tintura de cabelo, recomenda-se:

  • Optar por produtos com fórmulas menos químicas e livres de amônia ou metais pesados;
  • Evitar aplicações muito frequentes (reduzir intervalos entre colorações);
  • Usar luvas e proteger o couro cabeludo durante a aplicação;
  • Realizar exames preventivos de rotina, como mamografia e check-ups periódicos;
  • Consultar um dermatologista ou oncologista em caso de dúvidas sobre o uso prolongado desses produtos.

Ciência e consciência caminhando juntas

O avanço das pesquisas sobre tintura de cabelo e câncer de mama reforça a importância de compreender como hábitos estéticos influenciam a saúde a longo prazo. Embora o estudo não demonstre uma relação causal direta, ele amplia o debate sobre segurança cosmética e a necessidade de transparência nas formulações.

A mensagem dos cientistas é clara: cuidar da aparência não precisa comprometer a saúde — mas exige informação, moderação e escolhas conscientes.

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