Apesar da presença dessas estruturas, especialistas reforçam que não existe risco de erupções vulcânicas.
09 de maio de 2026 às 14:35 - Atualizado às 14:42
Formação vulcanica no Grande Recife. Foto: Reprodução/Redes sociais
Muita gente não imagina, mas áreas do Grande Recife e do Litoral Sul de Pernambuco guardam sinais de antigas atividades vulcânicas que ocorreram há mais de 100 milhões de anos.
Pesquisadores apontam que cidades como Ipojuca, Cabo de Santo Agostinho e Sirinhaém possuem formações rochosas ligadas ao período em que os continentes africano e sul-americano começaram a se separar.
Segundo estudos geológicos, a região passou por intensa atividade vulcânica durante a chamada Era Cretácea, período em que ainda existiam dinossauros na Terra.
Apesar da presença dessas estruturas antigas, especialistas reforçam que não existe risco de erupções vulcânicas em Pernambuco.
O geólogo Gorki Mariano, professor da Universidade Federal de Pernambuco, explica que o Brasil está localizado em uma área tectônica considerada estável atualmente.
De acordo com ele, o vulcanismo na região aconteceu há milhões de anos, durante a separação dos continentes, quando houve movimentação intensa de magma no que hoje é conhecido como Bacia de Pernambuco.
Em algumas áreas do Litoral Sul ainda é possível encontrar estruturas conhecidas como “neck vulcânico”, formações criadas pela solidificação do magma dentro da garganta de antigos vulcões.
Um dos exemplos mais conhecidos fica em Ipojuca, próximo à região da Usina Ipojuca. O local recebe frequentemente visitas de estudantes e pesquisadores interessados nas formações rochosas.
Moradores da área convivem diariamente com as estruturas sem imaginar que elas fazem parte da história geológica do planeta.
Além de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, pesquisadores também identificam vestígios vulcânicos em outras regiões de Pernambuco, incluindo áreas do Sertão.
Em São José do Egito, no Sertão do Pajeú, existe uma formação conhecida como Serra Preta, apontada por estudiosos como um “vulcão abortado”, quando o magma não chegou a provocar uma erupção completa.
Os especialistas afirmam que essas formações ajudam a explicar características diferentes do relevo e da vegetação no Litoral Sul pernambucano. Os solos vulcânicos costumam ser ricos em minerais, tornando algumas áreas mais férteis.
Além dos vestígios vulcânicos, Pernambuco também possui registros ligados a outro fenômeno pré-histórico importante.
Na cidade de Paulista, no Grande Recife, pesquisadores encontraram sedimentos associados ao impacto do meteoro que atingiu a Terra há cerca de 66 milhões de anos e contribuiu para a extinção dos dinossauros.
O material está preservado no Geossítio K-Pg Mina Poty, considerado um dos poucos locais do mundo com esse tipo de registro geológico.
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