Diagnósticos crescentes de TDAH e Autismo são resultado de melhor reconhecimento e informação. Imagem de Freepik
Nos últimos anos, o que muitas pessoas percebem como um aumento expressivo nos casos de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA) não se deve exatamente a um crescimento real dessas condições na população, mas a uma mudança significativa na forma como são diagnosticados e compreendidos. Essa ampliação do reconhecimento, com critérios diagnósticos mais amplos, melhor acesso a informações e serviços, tem sido responsável por tornar mais visíveis esses transtornos neurodesenvolvimentais.
O TDAH é um transtorno caracterizado por sintomas como desatenção, impulsividade e hiperatividade, com impacto na escola, trabalho e nas relações pessoais. Já o TEA engloba uma gama diversa de manifestações, caracterizadas por dificuldades na comunicação social e comportamentos repetitivos ou restritivos. Apesar das diferenças, essas duas condições podem ocorrer juntas em um mesmo indivíduo, influenciando a complexidade do quadro clínico.
Especialistas apontam que a impressão de que há mais pessoas com TDAH e autismo hoje surge do avanço nos critérios diagnósticos e do crescimento da conscientização sobre esses transtornos. Segundo o psiquiatra Luis Augusto Rohde, renomado especialista em saúde mental, hoje o tema é mais debatido e estudado, os critérios para identificar esses quadros são mais amplos e as pessoas têm mais facilidade para buscar ajuda. Isso faz com que diagnósticos antes não realizados ou confundidos passem a ser feitos com precisão.
Além disso, o acesso mais amplo a serviços de saúde mental e à informação fortalece o reconhecimento dos sintomas, permitindo que mais pessoas, incluindo adultos e mulheres (que antes eram menos diagnosticadas), recebam o diagnóstico correto.
A ciência revela uma ligação genética importante entre TDAH e TEA. Estima-se que muitos genes estejam envolvidos em ambos os transtornos, o que explica por que eles podem ocorrer simultaneamente ou em membros da mesma família. Estudos indicam que de 30% a 80% das pessoas com autismo também apresentam sintomas de TDAH, reforçando que esses transtornos compartilham raízes neurobiológicas.
Essa sobreposição genética e neurobiológica também ajuda a explicar a complexidade dos tratamentos e a necessidade de abordagens personalizadas, pois os sintomas podem variar bastante entre os indivíduos.
Além da genética, fatores ambientais durante a gravidez e o parto também influenciam o desenvolvimento desses transtornos. Por exemplo, idade avançada dos pais, exposição a toxinas, consumo de álcool e tabaco durante a gestação, infecções e complicações no parto são relacionados a um risco maior. Entre as causas do TDAH, destacam-se ainda trauma cerebral e exposição a substâncias tóxicas na infância.
Esses elementos não representam causas diretas para o aumento dos diagnósticos na população, mas indicam a complexidade do processo de neurodesenvolvimento, que pode resultar em diferentes manifestações clínicas.
O que muitas pessoas chamam de “explosão” nos casos de TDAH e autismo é, na verdade, o reflexo dos avanços na medicina e na indústria do conhecimento. O que antes era mal interpretado ou subdiagnosticado hoje é claramente identificado. Essa transformação se deu também pela:
Com mais diagnósticos, crescem numa mesma proporção as demandas por tratamento, acompanhamento clínico, suporte educacional e inclusão social, o que desafia os sistemas públicos e privados de saúde. Também é necessário desmistificar essas condições para que haja aceitação da neurodiversidade, respeitando as diferenças e apoiando as potencialidades dos indivíduos.
O reconhecimento aumentado também traz desafios sociais e psicológicos para as famílias, que precisam se adaptar e buscar informações confiáveis para lidar com essas condições.
A neurodiversidade é um conceito forte na atualidade que valoriza as diferenças neurológicas como variações naturais do cérebro humano. Essa visão evita a patologização exagerada, promovendo a inclusão e a aceitação.
Estudos científicos recentes reforçam que a maior parte das causas do TDAH e autismo é genética, em torno de 80%, com fatores ambientais também significativos. As pesquisas avançam para identificar as variações genéticas específicas que influenciam essas condições, contribuindo para tratamentos mais eficientes e personalizados.
Para quem convive com TDAH e autismo, o diagnóstico precoce é crucial para garantir intervenções adequadas, que podem incluir terapias comportamentais, acompanhamento psicológico, suporte educacional e, em alguns casos, medicações.
Cada pessoa tem um perfil único, e a personalização do tratamento é essencial para melhorar a qualidade de vida, a independência e a inclusão social.
O crescimento aparente dos diagnósticos de TDAH e autismo não indica uma epidemia, mas sim o avanço da ciência, da medicina e da conscientização social. Com mais informação, diagnóstico e suporte adequados, é possível transformar vidas e ampliar o olhar da sociedade para a diversidade neurológica.
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