Descubra como a capital da manga, mantém viva a tradição de colher a fruta direto do pé. Imagem gerado por IA
Jardinópolis, localizada na zona noroeste do interior paulista, se consolidou como “Capital da Manga”, título oficializado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo em 1985, e preserva um hábito raro: moradores e turistas se deliciam com frutas colhidas direto do pé em plena cidade.
O destaque é a Avenida Prefeito Newton Reis, antiga Avenida das Mangueiras, que possui centenas de árvores espalhadas por seu canteiro central e ciclovia, transformando o espaço num imenso pomar público de acesso livre. Caminhar ali é certeza de encontrar moradores praticando esportes, brincando, ou simplesmente colhendo mangas frescas.
Segundo relatos, a história começou no final do século XIX, quando o prefeito João Muniz Sapucaia trouxe caroços de manga da Bahia e plantou-os em sítios da região. Logo, a fruta encontrou clima e solo perfeitos, ganhando fama nacional e construindo a cultura local da manga “boca-amarela”.
A manga jardinopolense começou a ser exportada por estradas de ferro na década de 1910 e, já nos anos 1940, caminhões faziam a rota para São Paulo e Rio de Janeiro, consolidando o município como produtor de destaque nacional. Um terço da população chegou a trabalhar na cadeia produtiva da manga, cujo sucesso foi retratado até mesmo por Candido Portinari, neto de uma das grandes exportadoras locais.
A fruta carrega seu protagonismo para o cotidiano e até símbolos oficiais da cidade, como o hino municipal e o brasão, que estampam a manga como orgulho de Jardinópolis. O gentílico “boca-amarela” permanece, marcando quem nasceu ali.
Entre 1973 e meados da década de 1990, Jardinópolis sediava a animada Festa Municipal da Manga, tradição que voltou a acontecer em anos recentes, reunindo moradores e turistas em eventos gastronômicos e culturais que reforçam o espírito acolhedor do interior paulista.
Com a reintrodução da manga e incentivo ao plantio de frutas, a cidade aposta no fortalecimento da identidade rural e na diversificação da economia, buscando transformar o cenário de canaviais e resgatar pomares originais.
O turismo da cidade vai além da avenida de mangueiras. Jardinópolis oferece oásis naturais como a Fazenda Morro Azul, com reserva florestal de 900 mil m² e diversas cachoeiras, além da famosa Festa do Senhor Bom Jesus da Lapa, outro evento tradicional que movimenta a cidade.
Moradores relatam que não há época do ano sem mangas à disposição, especialmente entre outubro e janeiro, quando o perfume do fruto invade ruas e praças, e todos, literalmente, podem comer manga de graça, direto do pé.
Jardinópolis se diferencia por transformar uma fruta em sinônimo de pertencimento, história e convivência. A capital da manga paulista não apenas distribui sabor, mas fortalece suas raízes culturais e posiciona-se como referência na fruticultura e no turismo regional, celebrando um legado que continua gerando curiosidade e atraindo visitantes.
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