A declaração do ministro sinaliza uma mudança importante na política de valorização do magistério, especialmente diante da defasagem acumulada nos últimos anos.
Piso dos professores. Foto: Agência Brasil
O Ministério da Educação (MEC) garantiu nesta quinta-feira, 8 de janeiro, que o piso salarial dos professores da educação básica terá um reajuste real em 2026, ou seja, acima da inflação projetada para o período.
A sinalização partiu do próprio ministro da Educação, Camilo Santana, em meio a um cenário de forte insatisfação da categoria com a correção prevista pela fórmula atual, que indicava um aumento praticamente simbólico.
Pelas regras hoje em vigor, o piso nacional do magistério teria um reajuste de apenas 0,37% no próximo ano. Na prática, esse percentual representaria um acréscimo de cerca de 18 reais no salário dos professores com jornada de 40 horas semanais. Atualmente, o piso está fixado em 4.867,77 reais. Com a aplicação do índice de 0,37%, o valor subiria para algo em torno de 4.885,87 reais, avanço considerado insuficiente por educadores e entidades representativas.
O ministro Camilo Santana afirmou que o governo federal não pretende manter esse cálculo para 2026. Segundo ele, o MEC vai alterar a fórmula usada para definir o reajuste do piso e garantir um ganho real aos professores, acima da inflação. A declaração sinaliza uma mudança importante na política de valorização do magistério, especialmente diante da defasagem acumulada nos últimos anos e das dificuldades enfrentadas por profissionais da educação básica em todo o país.
A projeção do Banco Central indica que a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, deve encerrar 2025 em torno de 4,4%. Isso significa que, para ser considerado real, o reajuste do piso precisará superar esse percentual. A garantia dada pelo MEC aponta justamente nessa direção, embora o governo ainda não tenha divulgado qual será o novo índice nem os critérios exatos da fórmula que substituirá a atual.
Hoje, o piso salarial do magistério é calculado com base na Lei do Magistério, sancionada em 2008. A legislação estabelece que o reajuste anual deve acompanhar o crescimento do valor mínimo por aluno definido pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica. Para 2026, esse mecanismo resultaria no reajuste de 0,37%, número que gerou críticas por não refletir o aumento do custo de vida nem a inflação acumulada no período.
A reação negativa de professores e sindicatos ganhou força justamente pela diferença entre o índice previsto e a realidade econômica. Com uma inflação estimada em 4,4%, o reajuste automático deixaria o piso com perda real de poder de compra. O próprio MEC reconheceu esse descompasso ao afirmar que a correção prevista não atende à necessidade de valorização da carreira docente.
Ao prometer a mudança da fórmula, o governo federal indica que pretende adotar um critério mais alinhado à inflação e às condições econômicas do país. A expectativa é que a nova metodologia permita reajustes mais consistentes e evite situações em que o aumento anual fique abaixo da alta dos preços, como ocorreria em 2026 se a regra atual fosse mantida.
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