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Homem do Arkansas inspirou inclusão de "Em Deus Confiamos" nas cédulas dos EUA

História de Matthew Rothert voltou a ganhar destaque durante as celebrações dos 250 anos da independência americana.

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18 de junho de 2026 às 11:15   - Atualizado às 11:23

Nota de Dólar Americano

Nota de Dólar Americano Foto: Divulgação

Uma história pouco conhecida da trajetória dos Estados Unidos voltou a chamar atenção durante as comemorações dos 250 anos da independência do país. O protagonista é Matthew Rothert Sr., um fabricante de móveis e colecionador de moedas do estado do Arkansas que liderou uma campanha para incluir a frase "In God We Trust" ("Em Deus Confiamos") nas cédulas americanas.

Segundo relatos da família ao jornal cristão The Christian Post, a iniciativa teve início em 1953, quando Rothert participou de um culto religioso em Chicago. Na ocasião, ele teria percebido que a tradicional frase já estava presente nas moedas, mas não nas notas de papel que circulavam amplamente pelo mundo.

A partir daquele momento, ele decidiu mobilizar uma campanha nacional em defesa da mudança. Durante anos, enviou cartas a autoridades, promoveu debates e buscou apoio de organizações civis e lideranças políticas para levar a proposta ao Congresso dos Estados Unidos.

Campanha durante a Guerra Fria

O movimento ganhou força em meio ao contexto da Guerra Fria, período marcado pela rivalidade entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética. Para muitos americanos da época, a expressão "In God We Trust" representava uma afirmação dos valores religiosos e democráticos do país diante do avanço do comunismo ateu.

Rothert manteve contato com autoridades importantes do governo americano, incluindo integrantes do Departamento do Tesouro e parlamentares que apoiavam a proposta.

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De acordo com registros históricos, o secretário do Tesouro da época, George Humphrey, informou ao ativista que a mudança dependeria da aprovação de uma legislação específica pelo Congresso.

O esforço de Matthew Rothert começou a ganhar força em Washington poucos anos após o início de sua campanha. Em 1955, parlamentares americanos apresentaram um projeto de lei para levar a expressão "In God We Trust" das moedas para as cédulas que circulavam diariamente pelo país. A proposta avançou sem grandes obstáculos e recebeu aval do Congresso.

O movimento culminou na sanção presidencial assinada por Dwight D. Eisenhower, abrindo caminho para uma mudança que marcaria a história monetária dos Estados Unidos. Pouco tempo depois, a frase também foi reconhecida oficialmente como lema nacional americano.

A transformação tornou-se visível para milhões de pessoas em 1º de outubro de 1957, quando as primeiras notas de um dólar com a inscrição "In God We Trust" começaram a circular. O que havia começado como a iniciativa de um cidadão comum passou a integrar um dos símbolos mais conhecidos da identidade americana.

Para Hope Rothert Taft, filha de Matthew Rothert, a trajetória do pai demonstra como uma ideia aparentemente simples pode alcançar dimensões inesperadas. Ela recorda que a família acompanhou cada etapa do processo com surpresa e gratidão.

Segundo Hope, era difícil imaginar que um empresário de uma pequena cidade do Arkansas conseguiria influenciar uma decisão que alcançaria todo o país e, posteriormente, o mundo inteiro por meio da circulação da moeda americana.

Mais do que uma campanha cívica, Rothert encarava sua mobilização como uma missão pessoal. Em cartas enviadas a autoridades e organizações durante os anos 1950, ele defendia que as cédulas americanas possuíam um alcance global muito maior que as moedas e poderiam transmitir uma mensagem de fé a pessoas que viviam em países onde a religião enfrentava limitações ou perseguições.

Décadas depois, familiares ainda enxergam sua história como um exemplo de perseverança, convicção e participação cidadã, reforçando a ideia de que ações individuais podem produzir impactos duradouros na história de uma nação.

Origem da frase nas moedas

A expressão já fazia parte da moeda americana desde o século XIX. Durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, líderes religiosos solicitaram ao governo federal que houvesse uma referência explícita a Deus na moeda nacional.

O pedido resultou na autorização para a inclusão da frase em moedas a partir de 1864. Nos anos seguintes, a inscrição foi ampliada para outras denominações monetárias.

No entanto, as notas de papel continuaram sem a expressão até a mobilização iniciada por Rothert quase cem anos depois.

Legado reconhecido pela família

Os filhos de Matthew Rothert afirmam que a trajetória do pai demonstra como uma única pessoa pode influenciar decisões de alcance nacional.

Para a família, a campanha foi conduzida com perseverança e convicção, tornando-se um exemplo de participação cidadã na história americana.

Décadas após sua mobilização, a frase "In God We Trust" permanece presente nas cédulas dos Estados Unidos e continua sendo um dos símbolos mais conhecidos da identidade cultural e histórica do país.

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