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Estudo revela que oceanos estão ficando mais escuros; entenda motivo

O estudo analisou imagens de satélite coletadas ao longo de quase duas décadas e foi publicado na revista científica Global Change Biology.

Isabella Lopes

18 de junho de 2025 às 13:49   - Atualizado às 15:04

Imagem do oceano com uma parte escura e outra clara.

Imagem do oceano com uma parte escura e outra clara. Foto: Reprodução/Internet

Uma pesquisa feita pela Universidade de Plymouth, no Reino Unido, trouxe um alerta para o planeta: os oceanos estão ficando mais escuros. O estudo analisou imagens de satélite coletadas ao longo de quase duas décadas e foi publicado na revista científica Global Change Biology. Os dados mostram que 21% das águas oceânicas ao redor do mundo perderam luminosidade entre 2003 e 2022.

A mudança afeta diretamente as camadas superiores do oceano, que estão se tornando mais opacas. Isso reduz a penetração da luz solar e interfere na dinâmica da vida marinha. Os cientistas destacam que esse escurecimento tem ligação com alterações no clima, nas chuvas e na composição das águas.

Zona eufótica

A parte mais afetada por essa mudança é a chamada zona eufótica. Essa região compreende os primeiros 100 metros da superfície do oceano e recebe esse nome por ser a camada onde a luz solar ainda consegue penetrar. É ali que vive cerca de 90% da vida marinha conhecida, desde pequenos organismos até peixes maiores.

Com menos luz atingindo essa zona, organismos que dependem diretamente da luz solar, como os fitoplânctons, encontram dificuldade para sobreviver. Como eles estão na base da cadeia alimentar marinha, qualquer redução na sua população gera um efeito dominó em todo o ecossistema.

Causas do escurecimento

Os cientistas observaram que o escurecimento tem diferentes origens. Em áreas costeiras, o aumento das chuvas intensas arrasta sedimentos agrícolas e resíduos da terra para o oceano. Esse material serve de alimento para os plânctons, que se multiplicam rapidamente e deixam a água mais turva.

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Já em regiões mais afastadas da costa, o aumento da temperatura da água também contribui para a proliferação dos plânctons. Quando há muitos desses organismos, a luz do sol não consegue penetrar com a mesma intensidade, tornando as camadas superiores mais escuras.

O aquecimento global tem papel importante nesse processo. Ele modifica o padrão das correntes marítimas e das chuvas, o que altera a quantidade de nutrientes e a movimentação das águas. Tudo isso interfere na clareza dos oceanos.

Quais zonas ficaram mais escuras?

Os pesquisadores identificaram que 9% do oceano global, uma área equivalente ao tamanho da África, escureceu até 50 metros de profundidade. Em outros 2,6%, a luz deixou de atingir até os 100 metros.

As regiões mais afetadas incluem áreas dos oceanos Ártico e Antártico, a corrente do Golfo e também alguns mares fechados, como o Báltico. Essas mudanças ocorrem de forma desigual. Enquanto uma parte dos oceanos escurece, cerca de 10% das áreas analisadas ficou mais clara, o que, segundo os cientistas, mostra como os oceanos respondem de maneira complexa às transformações do planeta.

Implicações para a vida marinha

Thomas Daves, professor associado de conservação marinha da Universidade de Plymouth, destaca que a redução da luminosidade pode afetar comportamentos essenciais dos animais. Muitos seres marinhos dependem dos ciclos de luz solar e lunar para se orientarem, se reproduzirem ou caçarem.

“Nossos resultados fornecem evidências de que mudanças como essas causam escurecimento generalizado, que reduz a quantidade de oceano disponível para animais que dependem do Sol e da Lua para sobrevivência e reprodução.”

Com menos luz, espécies que realizam fotossíntese, como os fitoplânctons, têm sua capacidade de sobrevivência reduzida. Isso compromete toda a cadeia alimentar, desde pequenos peixes até grandes predadores, como baleias.

Tim Smyth, chefe do Laboratório Marinho de Plymouth, reforça que essas mudanças podem alterar profundamente o funcionamento dos ecossistemas marinhos. A perda de luminosidade ameaça o equilíbrio que sustenta a vida nos oceanos e, consequentemente, no planeta.

“Isso pode provocar mudanças relevantes em todo o ecossistema marinho", afirma Tim Smyth, chefe do Laboratório Marinho de Plymouth.

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