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Especialista que já foi vítima, revela 'sinais' que levam tubarões a morder humanos; conheça quais

Ex-militar, ele perdeu uma das mãos e uma das pernas após ser atacado, investigou quais fatores aumentam o risco de ataques envolvendo tubarões-cabeça-chata, espécie considerada uma das mais agressivas do mundo, presente em Pernambuco

Romildo Lacerda

28 de julho de 2026 às 17:33   - Atualizado às 17:34

Ataque de tubarão

Ataque de tubarão Foto: Reprodução/Rede Social/Internet

O australiano Paul De Gelder transformou uma experiência que quase lhe custou a vida em uma missão de conscientização sobre a convivência entre seres humanos e tubarões.

Ex-militar, ele perdeu uma das mãos e uma das pernas após ser atacado por um tubarão-cabeça-chata durante um treinamento antiterrorismo realizado em 2009, no Porto de Sydney, na Austrália. Atualmente, dedica-se à conservação ambiental e integra regularmente a programação da "Shark Week" (Semana do Tubarão), do canal Discovery.

Em sua participação mais recente no programa 'Bull Shark Dinner Bell', De Gelder e a especialista em predadores Rosie Moore investigaram quais fatores aumentam o risco de ataques envolvendo tubarões-cabeça-chata, espécie considerada uma das mais agressivas do mundo.

Embora existam cerca de 500 espécies de tubarões, a maioria evita o contato com humanos. Já os cabeça-chata são conhecidos como "predadores de emboscada" e figuram entre os principais responsáveis pelos ataques registrados em diferentes países.

No Brasil, a espécie esteve envolvida em um dos dois incidentes mais recentes ocorridos em Pernambuco.

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Em entrevista ao jornal O Globo, o biólogo marinho e diretor do AquaRio, Marcelo Szpilman, destacou que os tubarões-cabeça-chata apresentam comportamento mais agressivo do que outras espécies.

Durante os experimentos realizados na região de Jupiter Ledge, próximo a Palm Beach, nos Estados Unidos, os pesquisadores avaliaram diferentes situações capazes de atrair os animais. "No caso dos tubarões-cabeça-chata, geralmente há vários fatores que levam à mordida", afirmou Moore no Discovery Channel.

Testes

Os testes mostraram que a combinação entre chuva, presença de peixes oleosos e gordurosos e intensa atividade humana na água pode criar a chamada "tempestade perfeita" para um ataque. Para simular uma tempestade, De Gelder acionou uma bomba d'água enquanto Moore mergulhava próximo a um grupo de tubarões. O resultado foi o aumento imediato da quantidade de animais e da agitação no local.

Os pesquisadores também compararam diferentes tipos de iscas. Os tubarões demonstraram preferência por peixes ricos em gordura, ignorando a carne suína utilizada para simular carne e sangue humanos. Segundo a equipe, esse comportamento ajuda a compreender quais estímulos despertam o instinto de caça da espécie.

Outro experimento analisou o impacto das vibrações provocadas por atividades humanas, como a pesca submarina. Enquanto De Gelder capturava um peixe com um arpão, Moore observou um tubarão avançar sobre a presa, atraindo rapidamente vários outros exemplares.

Em um teste final, o ex-militar saltou na água para reproduzir um mergulho brusco, gerando forte vibração. Poucos segundos depois, diversos tubarões aproximaram-se da área.

Com base nos resultados, Moore ressaltou a importância de conhecer os hábitos dos animais.

Conhecer os padrões de migração sazonal de peixes que coincidem com a presença das populações de tubarões-cabeça-chata pode nos ajudar a orientar as pessoas sobre quando devem evitar entrar na água, já que os tubarões podem estar caçando", explicou.

Ao final da investigação, De Gelder deixou um alerta para banhistas e mergulhadores. "Avalie bem as condições antes de entrar na água; isso pode salvar sua vida", recomendou.
 

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