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Enquanto o Brasil tributa o Paraguai acolhe e lucra com fábricas brasileiras

Incentivos fiscais, menos burocracia e energia barata atraem empresas brasileiras ao país vizinho.

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14 de outubro de 2025 às 16:12   - Atualizado às 16:22

Bandeira do Paraguai com industrias

Bandeira do Paraguai com industrias Foto: Divulgação/ IA

A saída de fábricas brasileiras para o Paraguai deixou de ser exceção e virou tendência. A cada semestre, mais empresas anunciam a transferência de suas operações para o país vizinho, impulsionadas por uma combinação que soa como música para qualquer empresário: impostos reduzidos, energia mais barata, menos burocracia, mão de obra acessível e incentivos fiscais agressivos.

Nos últimos meses, nomes tradicionais da indústria brasileira confirmaram o movimento. Estão entre elas a Lupo, Estrela, Grupo Guararapes (Riachuelo), Fiasul e Efisa. Juntas, essas companhias representam setores como têxtil, embalagens, bens de consumo e logística. A Fiasul, por exemplo, anunciou um investimento inicial de US$ 3 milhões no Paraguai, podendo chegar a US$ 30 milhões nos próximos anos. Já a Efisa, fornecedora de embalagens, prevê uma nova planta de US$ 9 milhões a ser inaugurada em 2026.

Enquanto isso, o Brasil segue com um dos sistemas tributários mais complexos e pesados do mundo. Com alíquotas que chegam a inviabilizar a operação de pequenas e médias indústrias, o país vê sua base produtiva definhar. As fábricas brasileiras no Paraguai operam sob o regime de maquila, que permite importar insumos sem impostos, produzir e exportar com custo reduzido, e ainda contar com um imposto único sobre lucro de apenas 1%.

Além disso, o custo da energia elétrica — um dos maiores entraves no Brasil — é bem menor no Paraguai. A tarifa média industrial no país vizinho gira em torno de um terço do valor cobrado por concessionárias brasileiras. Isso tem sido decisivo, principalmente para indústrias que demandam alto consumo energético, como as do setor têxtil e de embalagens.

Para completar, o processo de instalação e licenciamento de novas plantas no Paraguai é ágil. Há parques industriais preparados com infraestrutura, incentivos estaduais e suporte jurídico. Enquanto isso, no Brasil, empresas relatam enfrentar até dois anos de espera para conseguir um alvará de funcionamento ou uma licença ambiental.

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A debandada das fábricas brasileiras para o Paraguai expõe o colapso de um modelo econômico ultrapassado, que pune quem produz. A ausência de reformas tributárias efetivas, aliada à insegurança jurídica, faz com que empresários olhem cada vez mais para fora. Não por escolha ideológica ou oportunismo, mas por sobrevivência.

O Paraguai, por sua vez, entendeu o que o Brasil ainda reluta em aceitar: não se atrai investimento com discursos, mas com condições reais de competitividade. Enquanto o Brasil tributa, o Paraguai acolhe — e lucra com isso.

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