Mix Mateus, Loja do Grupo Foto: Divulgação
O mercado de varejo e atacarejo no Brasil costumava ser dominado por grupos com sede no Sudeste ou por gigantes multinacionais. No entanto, esse cenário mudou drasticamente com a ascensão do Grupo Mateus. Segundo os dados mais recentes do Ranking ABAAS (Associação Brasileira dos Atacadistas de Autosserviço), a rede maranhense não apenas se manteve entre as maiores, como consolidou sua posição como a terceira maior força do setor no país.
Com um faturamento que já ultrapassa a casa dos R$ 43 bilhões, o grupo fundado por Ilson Mateus é hoje o maior player de capital totalmente brasileiro no segmento, ficando atrás apenas do Atacadão e do Assaí.
Ocupar o terceiro lugar em um país de dimensões continentais como o Brasil não foi fruto do acaso. O Grupo Mateus adotou uma estratégia de "interiorização" e domínio logístico. Enquanto as multinacionais focavam em grandes capitais do Sul e Sudeste, o Mateus fincou raízes no Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia e Sergipe.
O diferencial está na logística. Atuar no Nordeste exige uma malha de distribuição impecável para alcançar cidades remotas. Ao investir em Centros de Distribuição próprios e em uma frota robusta, o grupo conseguiu oferecer preços de atacarejo onde antes o consumidor só encontrava mercadorias caras.
Outro ponto crucial para garantir essa medalha de bronze no ranking nacional foi a movimentação estratégica de mercado. A criação do Novo Mateus, resultado da fusão entre o Grupo Mateus e a rede Novo Atacarejo (forte em Pernambuco), acelerou o crescimento da marca no estado e consolidou o faturamento do conglomerado.
Essa união, aprovada pelo CADE, criou uma barreira de entrada para concorrentes e garantiu que o grupo nordestino tivesse escala suficiente para negociar diretamente com a indústria em condições de igualdade com os líderes mundiais.
A história do grupo é indissociável da trajetória de seu fundador. Ilson Mateus, que já foi garimpeiro em Serra Pelada, abriu sua primeira mercearia em 1986, em Balsas (MA). Essa origem humilde é usada pelo grupo para manter uma linguagem próxima ao consumidor das classes C, D e E, o principal público do atacarejo.
Diferente de seus concorrentes, o Mateus aposta em um modelo híbrido. Suas lojas "Mix Mateus" combinam o preço baixo do atacado com serviços de varejo premium, como padaria personalizada e açougue de corte fino, conquistando também o público de maior renda que busca economia sem perder a conveniência.
O fato de um grupo nordestino ser o terceiro maior do Brasil sinaliza uma inversão de tendência. Agora, é o Maranhão que "exporta" seu modelo de gestão para outras regiões. Com a abertura de capital (IPO) realizada em 2020, o grupo ganhou o fôlego financeiro necessário para continuar abrindo dezenas de lojas por ano.
Para os próximos ciclos, a expectativa é que o Grupo Mateus continue diminuindo a distância para os dois primeiros colocados, reafirmando que o eixo do consumo no Brasil está se descentralizando e que o Nordeste é, hoje, o motor do atacarejo nacional.
Abaixo, detalhamos as redes que lideram o mercado nacional com base nos dados mais recentes de faturamento anual. O destaque absoluto vai para o avanço das redes regionais que desafiam o domínio de São Paulo.
| Posição | Empresa | Faturamento (R$) | Origem |
| 1º | Atacadão (Grupo Carrefour) | R$ 89,9 bilhões | São Paulo (França) |
| 2º | Assaí Atacadista | R$ 84,7 bilhões | São Paulo |
| 3º | Grupo Mateus | R$ 43,6 bilhões | Maranhão |
| 4º | Irmãos Muffato | R$ 20,4 bilhões | Paraná |
| 5º | Grupo Pereira (Fort Atacadista) | R$ 17,5 bilhões | Mato Grosso do Sul |
| 6º | Grupo Koch | R$ 12,9 bilhões | Santa Catarina |
| 7º | Novo Mateus | R$ 12,5 bilhões | Nordeste (Fusão) |
| 8º | Mart Minas & Dom Atacadista | R$ 12,5 bilhões | Minas Gerais / Rio |
| 9º | Cencosud (GBarbosa/Mercantil) | R$ 10,0 bilhões | Sergipe (Chile) |
| 10º | Tenda Atacado | R$ 8,0 bilhões | São Paulo |
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