De acordo com estudos, estímulo constante de smartphones e tablets pode comprometer atenção, regulação emocional e tolerância à frustração em bebês e crianças pequenas.
Crianças no celular e tablet. Foto: FreePik.
Nos últimos anos, a presença de telas na rotina infantil tornou-se quase onipresente. Smartphones, tablets e televisores aparecem como aliados dos pais para distrair ou acalmar crianças pequenas, mas pesquisas recentes apontam que o uso precoce desses dispositivos pode ter consequências profundas no desenvolvimento cerebral.
Segundo especialistas em neurociência, o cérebro infantil é altamente plástico, o que significa que as experiências moldam suas conexões neurais de forma intensa.
Áreas como o Córtex Pré-frontal, responsável pelo autocontrole, planejamento e tomada de decisões, ainda estão em formação e só atingem maturidade por volta dos 25 anos.
Já o Núcleo Accumbens, envolvido na recompensa e prazer, responde fortemente aos estímulos digitais imediatos, criando uma espécie de “circuito de dopamina barata” que privilegia gratificação instantânea em detrimento da atenção prolongada.
O excesso de estímulos digitais pode gerar o que especialistas chamam de prejuízo funcional: vias neurais se adaptam para buscar recompensas rápidas, enquanto habilidades como paciência, concentração e tolerância à frustração ficam subdesenvolvidas.
Estudos indicam que crianças expostas a telas desde cedo apresentam maior dificuldade em manter foco em atividades do mundo real, que são menos rápidas e menos intensamente recompensadoras que os algoritmos de apps e jogos.
Além disso, o uso de telas como ferramenta para acalmar ou entreter cria padrões de dependência emocional. Crianças aprendem a associar conforto e distração à tecnologia, prejudicando o desenvolvimento da autorregulação emocional, essencial para lidar com frustrações e estabelecer relações sociais saudáveis.
Especialistas recomendam limitar o tempo de tela em bebês e crianças pequenas e priorizar atividades que estimulem interação social, movimento físico e brincadeiras criativas.
A orientação é substituir parte do tempo digital por leituras, jogos de construção e momentos de exploração ao ar livre, que promovem conexões neurais mais complexas e fortalecem habilidades cognitivas essenciais.
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