Avibras Indústria Aeroespacial Foto: Divulgação/Avibras
A crise da Avibras Indústria Aeroespacial, uma das principais fabricantes de mísseis e sistemas militares do Brasil, reacendeu o alerta sobre a fragilidade da base industrial de defesa nacional. Fundada em 1961 e considerada um dos maiores símbolos da capacidade tecnológica brasileira, a empresa enfrenta um dos momentos mais delicados de sua história, com graves dificuldades financeiras e risco de paralisação de atividades.
Sediada em São José dos Campos (SP), a Avibras é responsável pela criação de sistemas de artilharia como o ASTROS II e o ASTROS 2020, usados pelo Exército Brasileiro e exportados para países da Ásia, Oriente Médio e América Latina. Reconhecida por desenvolver tecnologia de ponta em foguetes e mísseis, a empresa é considerada estratégica pelo Ministério da Defesa — mas, hoje, sobrevive em meio a incertezas.
De acordo com dados da Justiça de São José dos Campos, as dívidas da Avibras ultrapassavam R$ 641 milhões em 2021, levando a companhia a ingressar em recuperação judicial no ano seguinte. Desde então, a empresa tenta equilibrar contratos com as Forças Armadas e renegociar débitos com fornecedores e credores.
A crise da Avibras se agravou com a pandemia de Covid-19, que derrubou as exportações responsáveis por mais de 80% da receita anual da empresa. O impacto foi imediato: mais de 400 trabalhadores, entre engenheiros, técnicos e operários altamente qualificados, foram demitidos em um dos períodos mais críticos do setor de defesa nacional.
Atualmente, a produção opera em ritmo reduzido, e fornecedores de pequeno e médio porte que dependem dos contratos com a Avibras também enfrentam atrasos nos pagamentos e incertezas sobre o futuro.
A Avibras é uma das poucas companhias no Hemisfério Sul com capacidade de produzir armamentos de longo alcance, como foguetes e mísseis inteligentes. Essa condição faz dela um ativo estratégico não apenas para o Brasil, mas também para os países parceiros em programas conjuntos de defesa.
Por isso, especialistas da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) e analistas do Ministério da Defesa alertam que a falência da empresa representaria um golpe severo à soberania tecnológica do país. Além de interromper o desenvolvimento de sistemas militares nacionais, o colapso afetaria diretamente a autonomia produtiva e o domínio de tecnologias sensíveis, como a propulsão de foguetes e munições guiadas.
“O desaparecimento da Avibras seria comparável à perda de uma joia tecnológica que o país levou décadas para construir”, afirmou um especialista ouvido pela reportagem sob anonimato.
Em recuperação judicial desde 2022, a empresa busca atrair novos investidores e reestruturar suas operações. Nos últimos meses, representantes da Avibras têm participado de reuniões com o governo federal em busca de soluções que evitem a falência.
Entre as alternativas em estudo estão linhas de crédito específicas para empresas estratégicas de defesa e até a possibilidade de participação estatal minoritária em uma futura reestruturação.
Fontes ligadas ao setor afirmam que o Ministério da Defesa acompanha o caso de perto, mas o maior entrave é a falta de recursos diante das restrições orçamentárias da União.
Enquanto isso, a incerteza cresce entre os trabalhadores da Avibras, que pedem uma resposta rápida do governo e alertam para o risco de mais demissões.
A crise da Avibras tem efeito cascata sobre todo o ecossistema da indústria bélica nacional. Diversas empresas fornecedoras de componentes eletrônicos, ligas metálicas e softwares militares dependem da gigante paulista para sobreviver.
Além disso, o enfraquecimento da Avibras ameaça programas estratégicos das Forças Armadas, como o Sistema ASTROS 2020, essencial para a artilharia do Exército e para o desenvolvimento futuro de mísseis de cruzeiro nacionais.
O caso Avibras se tornou um teste decisivo para a política industrial de defesa do Brasil. Especialistas destacam que a ausência de uma política pública sólida para empresas estratégicas deixa o país vulnerável e dependente de importações em setores críticos.
Mesmo diante da crise, a Avibras ainda simboliza a capacidade do Brasil de produzir tecnologia de defesa própria, algo raro entre as nações em desenvolvimento.
Mas, se nenhuma medida concreta for tomada em breve, a crise da Avibras pode se transformar em um colapso sem precedentes na história da indústria bélica brasileira — com consequências diretas para a soberania e a segurança nacional.
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